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RESUMO

Autor: Eliane Guedes Ferreira

O enxame de Diques da Serra do Mar na Região entre Resende e a Baía da Ilha Grande, RJ

A ocorrência de derrames basálticos continentais assim como enxames de diques a estes relacionados tem sido correlacionada ao impacto de uma pluma mantélica na base da litosfera, ao afinamento crustal e a fragmentação de continentes. Um outro modelo sugere a ascensão do material magmático por descontinuidades na litosfera não sendo necessária a ocorrência de uma anomalia térmica.
Na região entre Resende e a Baía da Ilha Grande, localizada no Estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do Brasil, foram cartografados aproximadamente 140 corpos magmáticos. Estes corpos fazem parte do Enxame de Diques da Serra do Mar, sendo correlacionados à fragmentação do Gondwana que teve seu ponto máximo a aproximadamente 120 Ma.
Os corpos cartografados são, em sua maioria, diques e subordinadamente sills que formam três diferentes grupos com base na orientação espacial: NW, NS e NE. A petrografia indicou que estes são formados por basalto, basalto porfirítico, diabásio e micro-gabro sendo a constituição mineralógica formada por fenocristais de olivina, augita e plagioclásio e uma matriz composta por augita, pigeonita, plagioclásio, minerais opacos, apatita, quartzo, clorita e saussurita.
Os diques e sills fazem parte de uma série transicional de afinidade toleítica sendo composta por quartzo toleítos classificados como basalto, basalto andesítico, traquibasalto e basalto traquiandesítico. Os toleítos apresentam teores médios de MgO de 4,1% (peso) e teores médios de TiO2 de 3,70% (peso). Com base na razão (La/Yb)n e em outras razões de elementos traços, foram identificadas a ocorrência de três suítes magmáticas: 1) Suíte A - (La/Yb)n entre 7,20 e 11; 2) Suíte B - (La/Yb)n entre 11,6 e 17,7; 3) Suíte C - (La/Yb)n entre 24,8 e 32,6. O provável processo evolutivo destas suítes foi a cristalização fracionada com o envolvimento de uma fonte do tipo enriquecida com pelo menos uma participação do manto litosférico subcontinental.
As análises geocronológicas 40Ar/39Ar dos corpos da área alvo apontam para idades localizadas no intervalo entre 126,3±4,5 e 155,4±4,6 Ma, com a distribuição média das idades situada no intervalo entre 134-145 Ma, sendo portanto um pouco mais antigas se comparadas as idades de outras áreas do Enxame de Diques da Serra do Mar.
A comparação dos dados de campo com outras áreas do Enxame de Diques da Serra do Mar revelou que somente os diques NE apresentam direções coincidentes tanto com a estruturação do embasamento quanto com a dos outros diques que fazem parte do Enxame. Os corpos com direção NW e NS, abundantes na área alvo são raramente reportados em outras áreas, sugerindo que para área alvo a ocorrência de estruturas NW e NS, como por exemplo falhas e fraturas, exerceram um controle maior no processo de intrusão do que a estruturação NE do embasamento.
Em relação a litogeoquímica, as comparações efetuadas com outras área do Enxame de Diques da Serra do Mar e da Província Magmática do Paraná, indicou que este padrão de mais uma suíte magmática é comum em toda área do enxame, porém não são reportadas razões (La/Yb)n tão altas quanto as apresentadas pela Suíte A. Os magmas das suítes da área alvo correlacionam-se algumas vezes com os magmas do tipo Urubici e outras com os do tipo Pitanga podendo ser representante de um tipo "hibrido" não representado na Província Magmática do Paraná, mas que é semelhante ao magma do tipo Paraíba encontrado no Enxame de Diques da Serra do Mar.
As idades mais antigas que a média normalmente encontrada sugerem que processos distensionais associados à fragmentação do Gondwana já estariam atuando na região sudeste do Brasil há pelo menos 150 Ma.

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