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RESUMO
Autor: Sérgio
Goulart Oreiro
Interpretação sísmica dos eventos magmáticos
Pós-aptiano no alto de Cabo Frio,
Sudeste do Brasil, gênese e relação com os lineamentos pré-sal
A plataforma continental da área de Cabo Frio,
localizada no extremo SW da Bacia de Campos e extremo NW da Bacia
de Santos, possui distintas feições em sua evolução tectono-sedimentar
quando comparada com outras áreas das referidas bacias. Entre essas
feições, destaca-se a presença de falhas antitéticas no embasamento
e nas seções sedimentares sin-rifte e pós-rifte, além de eventos
magmáticos marcantes no Neocretácio e Eoterciário, com clímax no
Eoceno Médio. O presente trabalho mostra uma perspectiva histórica
da percepção humana dos fenômenos magmáticos, desde as primeiras
teorias míticas e teológicas da antiguidade, até o atual debate
entre os que adotam ou não o modelo de plumas mantélicas. Tais informações
são necessárias para um melhor entendimento das conclusões aqui
apresentadas.
A base de dados do presente estudo consiste de análises detalhadas
de dados de sísmica, de satélite, de métodos potenciais (magnéticos
e gravimétricos) e de poços. Amostras de diques básicos na península
de Arraial do Cabo, situada na porção continental mais próxima do
limite entre as Bacias de Santos e de Campos, foram coletadas para
estudos geocronológicos. O estudo integrado de todos esses dados
confirmou o resultado de pesquisas anteriores, as quais identificaram
dois eventos magmáticos principais, um no Santoniano/Campaniano
(~ 83 Ma) e outro no Eoceno Médio (~ 50 Ma). Há também evidências,
em seções sísmicas, de edifícios vulcânicos formados durante o Albiano,
o Maastrichtiano e o Paleoceno. As análises de dados de sísmica
de relexão e de perfis de poços, na área de estudo, revelaram uma
série de feições diagnósticas para eventos magmáticos, incluindo
a distinção entre eventos intrusivos dos extrusivos, bem como de
intercalações entre os mesmos e seqüências sedimentares epiclásticas.
Eventos magmáticos extrusivos podem ser identificados, nas seções
sísmicas, como sismofácies caóticas com topos bem definidos e bases
mal definidas. Tais sismofácies são interpretadas como o resultado
da intercalação de derrames submarinos de lavas com sedimentos epiclásticos
e vulcanoclásticos, juntamente com feições de escorregamentos e
soleiras rasas. A presença de cones bem delimitados também constitui
evidência de magmatismo extrusivo. Diques e derrames de lava são
reconhecidos por fortes reflexões positivas com terminações laterais
abruptas. Diques mais espessos de diabásio originam zonas com fracas
reflexões, delimitadas acima e abaixo por fortes reflexões.
Os critérios apresentados nessa tese podem ser aplicados a quaisquer
contextos em que haja eventos magmáticos intercalados com seqüências
sedimentares. A assinatura sísmica de eventos não-magmáticos é também
mostrada; tais eventos correspondem a diferentes feições geológicas
que podem ser interpretados por geofísicos e geólogos como sendo
de origem magmática. Entre tais eventos, os mais importantes são
os evaporitos, os mounds turbidíticos, os vulcões de lama originados
por escape de gás e depósitos carbonáticos. Serão apresentadas algumas
interpretações para a gênese do magmatismo pós-Aptiano na área em
epígrafe, interpretações essas que não levam em conta o modelo clássico
de plumas mantélicas. O mapeamento dos principais diques alimentadores,
em seções sísmicas 2D e 3D, revelou que tais diques têm uma orientação
preferencial SE-NW, coincidente com o alinhamento da Zona de deformações
Cruzeiro do Sul, a qual inclui os Montes Submarinos Jean Charcot
e as construções vulcânicas no Alto de Cabo Frio e suas cercanias.
Tal observação é coerente com as características das falhas de rejeito
direcional, preexistentes e reativadas nas áreas continentais próximas,
e com a orientação do componente transtensional das mesmas. Além
disso, comprova-se que os maiores volumes de rochas magmáticas,
intercaladas na seção sedimentar, estão localizados nas áreas de
interseção entre duas zonas de falhas com direção SE-NW (falhas
de rejeito direcional) e SW-NE (falhas normais). O mesmo acontece
com os corpos alcalinos do alinhamento Poços de Caldas-Cabo Frio.
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