Do grego archaîos = antigo. Por vezes chamado Arqueozóico = vida antiga.
Durou desde o início da Terra (4.560 milhões de anos) até 2.500 milhões de anos.

 

A origem do Sistema Solar ainda é alvo de discussões, mas a hipótese mais aceita  é que ele tenha surgido a partir da explosão de uma estrela, a aproximadamente 4.500 milhões de anos. Essa idade é corroborada por datações radiométricas das rochas da lua e de alguns meteoritos.

Na Terra, o registro mais antigo de rocha é o Acasta gnaisse, no Canadá, com 3.960 milhões de anos (Bowring et al., 1989), e o mineral mais antigo, um zircão detrítico encontrado em Mount Narryer na Austrália, forneceu uma idade de 4.100 milhões de anos (Froude et al., 1983). Nesse caso, a rocha onde esse zircão foi encontrado é mais nova, mas as análises indicam que ele foi formado à 4.100 milhões de anos.
Infelizmente, as rochas formadas nos primórdios da Terra foram recicladas por processos similares à Tectônica de Placas, dessa forma, aparentemente, não sobraram registros dos primeiros 500 milhões de anos do nosso planeta.

Litologicamente, os continentes do Arqueano eram constituídos de granitos e gnaisses quartzofeldspáticos, rochas pouco densas, que "boiavam" no oceano de magma que estava se resfriando, formando uma fina crosta. Esses blocos continentais eram circundados por "greenstone-belts", cinturões lineares espessos de rochas vulcânicas, com alto teor de ouro e níquel. Também eram comuns os komatiitos, que são rochas vulcânicas muito magnesianas.
Também havia a geração de rochas sedimentares, como as grauvacas nas águas profundas e conglomerados nas águas mais rasas. Esses sedimentos são ricos em ouro e uraninita. O ferro oxidado que é tão comum nas rochas sedimentares mais recentes não é significativo nas rochas dessa idade.
A presença de uraninita e a ausência de ferro nas rochas arqueanas sugerem uma atmosfera pobre em oxigênio, já que o primeiro só é estável em condições redutoras e o segundo, ao contrário, se dissolve em ambiente redutor.

Mesmo com essa atmosfera desfavorável, foi no Arqueano que se iniciou a vida na Terra. Os primeiros registros de microfósseis foram encontrados no "Apex chert", oeste da Austrália, e datam de 3.465 milhões de anos (Schopf, 1993). Esses indivíduos eram bactérias filamentosas, parecidas com as bactérias modernas.
Outros registros de vida no Arqueano são os estromatólitos. Nesse caso não são fósseis, e sim estruturas formadas por colônias de algas, com registros no sul da África e oeste da Austrália.
 


Impressão fóssil de alguns organismos de idade arqueana. Schopf, 1993




O limite superior do Arqueano foi arbitrado em 2.500 milhões de anos. Esse limite marca o final da estabilização das áreas cratônicas arqueanas, e o consequente início da evolução de vastas plataformas continentais em torno desses núcleos estáveis.

Alguns autores sugerem que no final do Arqueano a maior parte das áreas cratônicas estaria aglutinada em um supercontinente chamado Kenorano (Mason, 1995 e outros) sendo que os dados ainda não são totalmente conclusivos.

No Brasil  temos algumas ocorrências de rochas arqueanas, quase sempre retrabalhadas por eventos tectonotermais posteriores.
Na América do Sul, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname também encontramos exposições de rochas arqueanas.
 
 

Mapa do Brasil com a distribuição das unidades atribuídas ao Arqueano (marrom) e ao
Precambriano indiferenciado (vermelho). Modificado de Schobbenhaus, 1984.




Várias concentrações minerais importantes ocorrem nos terrenos arqueanos. Alguns exemplos brasileiros são as minas de ferro, cobre e ouro da Serra dos Carajás no Pará, as minas de manganês da Serra do Navio no Amapá, e a mina de ouro de Morro Velho em Minas Gerais.

Na Bacia Carajás ocorrem também os registros fósseis mais antigos descritos na América do Sul. São microorganismos do tipo cocobactérias, presentes em siltitos depositados entre 2.759 +/- 2 milhões de anos (Lindenmayer et al., 1993)
 


Bibliografia:

BOWRING, S.A.; WILLIAMS, I.S., COMPSTON, W. 3.96 Ga gneisses from the Slave province, Northwest Territories, Canada. Geology, Boulder, CO. v.17, p.971-975. 1898.

FROUDE; D.O. et al. Ion microprobe identification of 4100 to 4200 Ma-old terrestrial zircons. Nature, London. v. 304, p. 616-618. 1983.

LINDENMAYER, Z.G. et al. Cocobactérias no Arqueano superior - Proerozóico inferior da Bacia de Carajás, Estado do Pará. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PALEONTOLOGIA,13., 1993, São Lepoldo. Boletim de Resumos... São Lepoldo, 1993. 254p. p. 216.

MASON, R. The  Kenorana Orogeny and the first supercontinents. In: International Conference on Tectonics, Metallogeny of early/mid Precambrian Orogenic Belts. PRECAMBRIAN 95, 1995, Montreal. Program and Abstracts... Montreal, 1995. p. 37.

SCHOBBENHAUS, C. et al.. Geologia do Brasil. Texto Explicativo do Mapa Geológico do Brasil e da Área Oceânica Adjacente incluindo Depósitos Minerais. Escala 1:2.500.000. Brasília : DNPM-MME, 1984. 501p.

SCHOPF, J.W. Microfossils of the early Archaean Apex chert; new evidence of the antiquity of life. Science, Washington, DC. v. 260, p. 640-646, 1993.