Do inglês  Devon, condado do sudoeste da Inglaterra


Definido em 1939 por Adam Sedgwick e Roderick Murchison para englobar a sequência sedimentar marinha que ocorre entre as rochas silurianas e as carboníferas da região de Cornwall e Devon.  Durou de 417 a 354 milhões de anos.

Apesar da localidade-tipo ser Devon, a assembléia fossilífera típica foi descrita em Ardennes, Bélgica, uma vez que os fósseis de Devon não são bem preservados.

Depois de muitos anos de discussões, a base da sequência foi fixada em um afloramento da República Tcheca, e corresponde à base do graptólito Monograptus uniformis.

Quarto período da Era Paleozóica, o Devoniano se caracteriza por intensa sedimentação continental, frequentemente intercalada com depósitos marinhos.

Nos mares do Devoniano abundavam corais, cefalópodes tipo amonita, crinóides, braquiópodes e peixes. Graptólitos se extinguiram ao longo do período e trilobitas já eram raros na maior parte dos mares.

Representando a vida no ambiente continental, ocorrem plantas, moluscos e peixes de água doce. Esses peixes evoluiram bastante nesse período, chegando a desenvolver pulmões, que permitiam um modo de vida anfíbio, iniciando a ocupação terrestre.

No início do período as plantas eram pequenas, com aproximadamente um metro de altura, mas no Devoniano superior elas já tinham o porte das árvores atuais.
 


Reconstrução da provável posição das massas continentais no Devoniano inferior, 390 milhões de anos.
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O grande continente asiático atual, consistia, então, de 11 microcontinentes. O maior deles era a Sibéria central, onde se depositavam grandes extensões de carbonatos, evaporitos, arenitos vermelhos e, subordinadamente, carbonatos recifais, indicando climas quentes. No sul da China e Casaquistão se depositavam sequências bauxíticas, indicando um clima equatorial. Nos outros microcontinentes predominavam carbonatos e siliciclásticos de clima mais temperado.

Aflorando em boa parte do Gondwana (América do Sul, África subsaariana e Antártica), as rochas devonianas são representadas por sequências de arenitos claros e argilitos, indicando um clima úmido e frio.  O Gondwana continuava se afastando do polo sul, e a maior parte de suas terras ainda se encontrava sob condições de clima úmido, mas evaporitos encontrados em algumas partes da Austrália, evidenciam uma zona mais seca e de clima mais tropical.

Na Laurásia predominam sedimentos marinhos carbonáticos, com níveis de evaporitos, caracterizando um clima tropical seco.
Na região que hoje é a Europa central, principalmente a Alemanha e a Bélgica, existiam recifes de coral, indicando clima tropical, e depósitos marinhos de água relativamente profunda cobriam o sul da Europa.

Nessa região ocorreu o clímax da Orogenia Caledoniana, acompanhado de intenso vulcanismo.
 

Reconstituição de um ambiente marinho devoniano, com crinóides, corais trilobitas e peixes.

Nas bacias sedimentares brasileiras se depositaram as formações Maecuru, Ererê e Curuá, na Bacia Amazônica, formações Inajá, Pimenteiras, Cabeças e Longá, na Bacia do Parnaíba e Formação Ponta Grossa, na Bacia do Paraná, todas de caráter marinho. Algumas dessas formações são ricas em fósseis como trilobitas, braquiópodes e plantas e em microfósseis (Schobbenhaus et al., 1984).

Na borda oeste do Gondwana se dava a acreção do terreno Chilenia, resultando na Orogenia Pré-cordilheirana (Astini et al., 1995).
 


Bibliografia:

ASTINI, R.A., BENEDETTO, J.L. , VACCARI, N.E. The early Paleozoic evolution of the Argentine Precordillera as a Laurentian rifted, drifted, and collided terrane. B. Geol. Soc. of America, Boulder, CO, v. 107, p. 253-273. 1995.

PARK, R.G. Geological Structures and Moving Plates. London : Blackie , Son Ltd., 1988. 337p.

PARKER, S.P. McGraw-Hill Encyclopedia of the Geological Sciences. 2. ed. New York : MacGraw-Hill, 722 p.

SCHOBBENHAUS, C. et al.. Geologia do Brasil. Texto Explicativo do Mapa Geológico do Brasil e da Área Oceânica Adjacente incluindo Depósitos Minerais. Escala 1:2.500.000. Brasília : DNPM-MME, 1984. 501p.