Nos primeiros 500 milhões de anos de sua orígem (4.560 a 4.000 milhões de anos) a superfície da Terra era muito pouco rígida, parcialmente fundida, e bastante homogênea.

Evidências geocronológicas e petrológicas indicam que a aproximadamente 4 bilhões de anos. uma crosta siálica se individualizou do manto. É essa camada é que constitui as massas de terra que chamamos de continentes.

Só que esses continentes não estiveram sempre no mesmo lugar onde estão hoje em dia, e não tiveram sempre a forma que cartografamos nos mapas atuais.

Mais de 300 A.C. Aristóteles observou que as conchas que ele via incrustadas em algumas rochas eram iguais às conchas que ele encontrava na praia. Concluiu, então, que aquelas conchas haviam pertencido à animais vivos, e que aquela terra havia sido mar um dia.

Desde então os conceitos geológicos vem evoluindo através dos trabalhos de vários cientistas tais como Nicolaus Steno, James Hutton, William Smith, Charles Darwin, e muitos outros.

Dentre tantos marcos importantes para a Geologia, um dos mais significativos foi a teoria da "Deriva Continental". Em 1912, Alfred Wegener, baseado em dados geológicos, paleontológicos e climáticos, propôs que  há 200 milhões de anos todos os continentes estariam unidos em um único supercontinente chamado Pangea (do grego: pan=toda +gea= Terra = toda a Terra). A partir de então, esse supercontinente teria se partido  e seus pedaços se movido "`a deriva" até suas posições atuais.

 

Animação do movimento dos blocos continentais de 740 à 540 milhões de anos

(fonte: http://www.ucmp.brkeley.edu)

Quando observamos um mapa-mundi e vemos, por exemplo, que a África e a América do Sul se encaixam quase que perfeitamente, entendemos esses conceitos de movimento dos continentes estudados por Wegener. Mas porque eles se movem?

A Terra não é homogênea. Ela é constituída de um núcleo interno muito denso, composto de uma liga de ferro e níquel; um núcleo externo, de composição semelhante ao interno, mas em estado líquido; uma camada intermediária chamada manto, rico em ferro, magnésio e cálcio, menos denso que o núcleo, constituída de rocha em estado semi-sólido, e de uma fina "casca" chamada crosta, de material leve (silício e alumínio), sólida e quebradiça.




A temperatura média na superfície é 20°C e no centro deve passar de 3.500°C, fazendo com que haja um fluxo constante de calor de dentro para fora.

O núcleo fornece muito calor para o manto. A rocha fundida do manto ao ser aquecida fica menos densa e sobe, mas ao subir, se resfria e desce. Como esse mecanismo é contínuo, é gerada uma corrente interna chamada corrente de convecção. Esse fenômeno pode ser observado  quando fervemos qualquer líquido, como leite, por exemplo.

Essa convecção constante no manto causa muitas tensões na base da crosta, que acaba se quebrando ao longo de extensas fraturas chamadas Cordilheiras Meso-oceânicas. O material fundido do manto extravasa através dessas fraturas, gerando o fundo dos oceanos.

Quando esse fundo oceânico, que é constituído de rochas densas e pesadas, bate de encontro aos continentes, que são constituídos de rochas leves, mergulha por baixo deles, ao longo das chamadas zonas de subducção. Essas rochas "mergulhantes" ao atingem regiões profundas e quentes são fundidas novamente, reiniciando o ciclo.

Como os continentes são constituidos de rochas bem menos densas, "boiam" sobre a crosta oceânica e, praticamente, não participam desse processo de subducção. Numa nova analogia ao leite fervendo, os continentes seriam a nata do leite, que fica sempre na superfície.

Analisando esse conjunto de fraturas (cordilheiras meso-oceânicas e zonas de subducção) podemos dizer que a superfície do globo terrestre é um mosaico de "placas"  de formas irregulares e diferentes tamanhos.

Essas placas litosféricas se movem de diferentes formas entre sí e, frequentemente, colidem umas com as outras.

Nessas colisões, as margens envolvidas se enrugam em resposta  ao choque, causando as grandes cadeias de montanhas que conhecemos, como por exemplo os Andes, os Alpes e os Himalayas.


 
 


Bibliografia:

PARK, R.G. Geological Structures and Moving Plates. London : Blackie , Son Ltd., 1988. 337p.

PARKER, S.P. McGraw-Hill Encyclopedia of the Geological Sciences. 2. ed. New York : McGraw-Hill, 1988. 722 p.