Novidades em Ciências da Terra

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Julho de 2003
Terra já foi bola de neve, revela rocha de Mato Grosso, 30 Julho de 2003
Museu Nacional/UFRJ produz guia do acervo histórico, artístico
e científico da Família Real e Imperial 25 de Julho de 2003.
Explosão vulcânica pode causar megaefeito estufa, 24/7/ 2003.
Petrobrás anuncia mais uma descoberta de petróleo 11 de julho 2003
Origem da Lua em 08 de julho 2003
Efeito estufa provocou catástrofe no passado, 7 de julho de 2003
Equipe encontra 'irmão' do Sistema Solar 04 de julho 2003
Descoberto na Amazônia peixe considerado fóssil vivo 02 de julho 2003

Junho de 2003 (e período anterior)
ACTIVIDAD SUBMARINA INESPERADA junho 2003
UENF ESTUDA CICLO DO PETRÓLEO NA REGIÃO NORTE DO ESTADO DO RJ junho 2003
20/6/2003 TERREMOTOS NO BRASIL E NO CHILE 
19/6/2003. Global change: Ups and downs in the Red Sea FRANK SIROCKO- Changes in past conditions in the Red Sea have been exploited to provide a detailed record of sea-level variation over much of the last glacial period.(Revista Nature)
18/6/2003. Cnen esclarece sobre efeitos da radiação natural na Amazônia
17/6/2003.Terremoto de 6,5 graus na península de Kamtchatka na Rússia 
17/6/2003.Evolução dos mamíferos é marcada por impacto de cometa
17/6/2003. Paleobotânica: Fóssil vegetal raro sai ilegalmente do Brasil 
16/6/2003. Impacto matou peixes há 380 milhões de anos 
12 de Junho de 2003.Fóssil mostra que 'Homo sapiens' era forte e africano 
16/6/2003 .Cratera australiana tem 142 milhões de anos 
16/6/2003. Ciência tenta explicar 'pára-e-anda' do universo
16/6/2003. Descobertos mais de 50 sítios pré-históricos no Piauí 
07/06/2003 AMBIENTALISTAS TENTAM EVITAR PROSPEÇÃO DE PETRÓLEO EM ABROLHOS 
13/06/2003.Meteoro teria aniquilado 40% da vida há 380 milhões de anos 
12/6/2003 - Human evolution: Out of Ethiopia  - Newly discovered fossils from Ethiopia provide fresh evidence for the 'out of Africa' model for the origin of modern humans, and raise new questions about the precise pattern of human evolution.(.pdf)
12/6/2003 Artigo completo da Nature sobre o contexto geológico (estratigrafia, geocronologia) do Homo Sapiens da Etiopia (da Nature) - em .pdf
12/6/2003. Fóssil mostra que 'Homo sapiens' era forte e africano 
12 June 2003. Meteoritics: A question of timing -  Meteorites record the early history of the inner Solar System. A unique object that has been found in one meteorite may add support to a revolutionary idea about how the Solar System formed (.pdf).
12/6/2003 - texto completo na revista Nature sobre novas descobertas sobre Meteoritos (.pdf)
12 June 2003    Quake triggers research expedition 
11/6/ 2003. Inaugurada em Aquidauana a primeira estação sismológica de MS
11/6/2003. Homem esteve perto da extinção há 70 mil anos 
À PROCURA DO ‘VERDADEIRO’ MUNDO DE ÁGUA 9/6/2003
6/6/2003 Terra está ficando mais verde, revela estudo da Nasa 
05 de Junho de 2003.  Nova expedição Bendegó, no sertão da Bahia, pela primeira vez com equipamento geomagnético 
5/6/2003. Confira alguns números da água no mundo 
4/6/2003. PETROBRAS ANUNCIA TRÊS NOVAS RESERVAS DESCOBERTAS NO ESPÍRITO SANTO 
4/6/2003.Descoberta na Bacia de Campos eleva em 30% produção da Petrobras
4/6/2003. Mamutes da Era do Gelo alimentavam-se de grama
Exploração de petróleo pode afetar ecossistema na região de Abrolhos
Cnen estuda radiação natural de Monte Alegre
Nave européia parte em busca de vida em Marte
Grupo busca sinais de geleira no Nordeste
Aprovação do estatuto do Museu de Ciência da Terra
Nova exposição da Estação Ciencia explica a importância do petróleo, rochas e vulcões
Satélite dá pistas sobre misterioso disparo cósmico 
29 de Maio de 2003.  Equipe acha 'fábrica' de estrelas explosivas em par de galáxias em colisão
29 de Maio de 2003. Mata Atlântica perdeu 10 mil km2 em 11 anos
28 de Maio de 2003. Cientistas simulam queda de asteróide 
novembro 2002 II SIMPÓSIO DE ÁGUAS MINERAIS DISPONIBILIZA PALESTRAS
09 de Maio de 2003. Satélite vai buscar outras Terras em 2005
13/05/2003 AS GELEIRAS VIRARAM SERTÃO
13/05/2003 PESQUISADORES DA UNICAMP DELIMITAM AQÜÍFEROS NA REGIÃO DE CAMPOS/RJ
14 de Maio de 2003. Novo planeta tem ano de 28 horas
23 de Maio de 2003. Mercosul assina acordo para proteger aquífero
Brasil é o 16o. produtor mundial de Petróleo (julho de 2002)



JULHO DE 2003

JC e-mail 2331, de 30 de Julho de 2003.

Terra já foi bola de neve, revela rocha de Mato Grosso

                     Formação descoberta no interior do Estado confirma modelo segundo
                     o qual planeta congelou e degelou rápido

                     Ricardo Bonalume Neto escreve para a 'Folha de SP':

                     Em um momento, a Terra está totalmente coberta de gelo e a
                     temperatura fica em torno de 50C negativos.

                     Em seguida, um efeito estufa descontrolado faz a temperatura ir ao
                     outro extremo, 50C positivos.

                     A confirmação de que esse cenário de pesadelo aconteceu de fato
                     neste planeta, e de modo bem mais abrupto do que se imaginava, foi
                     encontrada em rochas perto de Mirassol d'Oeste, cidade do interior
                     de Mato Grosso.

                     A pesquisa foi feita por pesquisadores de quatro universidades
                     brasileiras -USP e federais do Amazonas, de Pernambuco e do Pará -
                     e está publicada em artigo na edição deste mês da prestigiosa
                     revista científica "Geology" (http://www.gsajournals.org).

                     O estudo fez parte da tese de doutorado na USP de Afonso César
                     Rodrigues Nogueira, da Ufam.

                     A maneira como duas camadas de rocha diferentes estão vinculadas,
                     e as deformações que elas apresentam, constituem uma prova
                     excelente do modelo teórico conhecido como "Terra bola de neve",
                     que procura explicar a passagem rápida do gelo extremo ao calor
                     extremo.

                     Segundo os principais defensores atuais do modelo, Paul Hoffman e
                     Daniel Schrag, da Universidade Harvard, entre 750 milhões e 580
                     milhões de anos atrás essa reversão extrema do clima pode ter
                     acontecido em quatro momentos distintos.

                     "Rápido", aqui, deve ser entendido em termos geológicos. Os autores
                     do modelo acreditam que a mudança pode ter ocorrido em poucos
                     milhares, talvez apenas centenas de anos -um mero instante na
                     história de 4,5 bilhões de anos da Terra.

                     A glaciação "bola de neve", o período em que toda a Terra estava
                     coberta com uma camada de um quilômetro de gelo, teria durado
                     "apenas" dez milhões de anos.

                     O acúmulo gradual na atmosfera de gás carbônico emitido por
                     vulcões, sem que houvesse um mecanismo químico para capturar
                     esse gás, inverteu o quadro. O gás, ao reter calor na atmosfera, foi
                     esquentando o planeta e derretendo as geleiras.

                     Explosão da vida

                     O modelo não é uma mera curiosidade do passado da Terra. As
                     condições climáticas extremas provocaram extinções maciças entre
                     os primitivos seres vivos então existentes, mas o fenômeno também
                     ajuda a explicar a explosão de novos seres que viria depois.

                     A necessidade de adaptação e o isolamento favoreceram depois o
                     desenvolvimento de variadas formas de vida.

                     "Imagine mudar a temperatura de -50C para +50 C em milhares de
                     anos. A vida fica quase extinta", diz um dos autores do estudo,
                     Thomas Fairchild, da USP.

                     Entre 575 milhões a 570 milhões de anos atrás, a região onde hoje
                     está Mirassol d'Oeste ficava mais ao sul, quase na latitude de SP.
                     Hoje no centro da América do Sul, a região era costeira então.

                     A pedreira Terconi, onde foi feito o estudo, a leste da cidade, mostra
                     rochas de origem glacial, os "tilitos", logo abaixo de uma camada de
                     rochas calcárias.

                     A localização dessas duas camadas já fora notada em várias partes
                     do mundo, e era um mistério para a ciência, pois esse tipo de rocha
                     calcária que forma uma "capa" sobre as rochas glaciais tipicamente
                     se forma em águas quentes de mares rasos. A passagem rápida da
                     bola de neve para a estufa explicaria o fenômeno.

                     As rochas de Mato Grosso têm uma característica inédita no mundo,
                     porém, que se nota pela deformação que apresentam.

                     "Nós mostramos que a deformação foi ao mesmo tempo, antes de
                     estarem consolidadas, quando ainda eram sedimentos", diz Claudio
                     Riccomini, também da USP, orientador de Nogueira.

                     Ou seja, quando as duas camadas foram deformadas, elas ainda não
                     eram "rochas" e sim sedimentos não-consolidados.

                     Isso é uma prova altamente sugestiva de que a mudança do frio para
                     o quente foi abrupta. A deformação, segundo os pesquisadores, é
                     decorrente de terremotos. Quando a Terra era bola de neve, o
                     terreno estava paralisado em razão do enorme peso do gelo por cima.
                     Com o derretimento, voltam abalos e deformações.

                     A equipe - da qual também participaram Alcides Nóbrega Sial, da
                     UFPE, e Cândido Augusto Veloso Moura, da UFPA - afirmou que essa
                     é a primeira prova sedimentológica "claramente reconhecida" da
                     mudança rápida da geladeira para a estufa.
                     (Folha de SP, 30/7)
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JC e-mail 2329, de 28 de Julho de 2003.

Novas pistas explicam mistério da linguagem

                     Arqueologia e genética se unem para decifrar origem de talento
                     exclusivo da humanidade

                     Nicholas Wade escreve para o 'The New York Times':

                     Pássaros canoros são artistas, formigas cortadoras de folhas
                     praticam a agricultura, corvos usam ferramentas e chimpanzés
                     formam alianças contra rivais.

                     O único talento importante característico e exclusivo dos seres
                     humanos é a linguagem, a capacidade de transmitir pensamentos de
                     um indivíduo para o outro.

                     Por causa de seu papel de destaque, as origens evolucionárias da
                     linguagem fascinam todo mundo, com a curiosa exceção dos
                     lingüistas. Já em 1866, a Sociedade Lingüística de Paris declarava
                     que não queria mais saber de artigos especulativos sobre a origem da
                     linguagem.

                     Mais recentemente, muitos estudiosos evitaram o assunto por causa
                     da influência de Noam Chomsky, o fundador da lingüística moderna,
                     que geralmente não se pronuncia sobre o tema.

                     A atitude de Chomsky "só serviu para desencorajar o interesse dos
                     lingüistas teóricos", escreve Frederick J. Newmeyer, ex-presidente da
                     Sociedade Americana de Lingüística, em A Evolução da Linguagem,
                     livro de ensaios que está sendo lançado este mês pela Oxford
                     University Press, na Inglaterra.

                     Para falar a verdade, até bem pouco tempo atrás os especialistas
                     não tinham muitos dados sobre os quais se basear. Ninguém
                     conseguia chegar a um acordo sobre se os neandertais falavam ou
                     não. As tentativas de ensinar alguma forma de linguagem a primatas
                     produziu mais controvérsia do que informação.

                     Novas pesquisas, porém, estão minando a idéia de que as origens da
                     linguagem se perderam para sempre na poeira do tempo. Algumas
                     pistas começaram a aparecer na arqueologia, na genética e ecologia
                     comportamental humana. Até os lingüistas começaram a participar do
                     debate, antes que alguém viesse tomar o seu lugar.

                     "É importante que os lingüistas participem desse processo até para
                     manter seu espaço nesse nicho intelectual de tanto interesse",
                     escreve Ray Jackendoff, sucessor de Newmeyer na sociedade
                     lingüística em seu livro Bases da Linguagem.

                     Geneticistas relataram em março que a mais antiga divisão de
                     populações humanas ocorreu entre os !Kung do sul da África e os
                     Hadza, da Tanzânia. Ambos falam linguagens de cliques, produzidos
                     pelo movimento de sucção da língua no céu da boca (e indicados por
                     pontos de exclamação), que funcionam como consoantes. Os cliques,
                     portanto, podem ter sido usados também pela população humana
                     ancestral.

                     Essa pista da primeira linguagem humana pode se refletir em registros
                     arqueológicos. Humanos com esqueletos modernos - ou seja, como
                     os nossos - já se espalhavam pela África havia 100 mil anos, mas
                     ainda usavam as mesmas ferramentas toscas de seus ancestrais e de
                     seus arcaicos contemporâneos, os neandertais europeus.

                     Então, há uns 50 mil anos, uma mudança radical ocorreu.
                     Povoamentos africanos passaram a contar com ferramentas
                     sofisticadas de pedra e osso e objetos de arte. Sinais também
                     indicaram que havia comércio com locais distantes.

                     Embora alguns arqueólogos contestem o caráter repentino dessas
                     mudanças, Richard Klein, de Stanford, diz que o conjunto delas
                     reflete alguma alteração neural específica ocorrida na época e, por
                     causa da vantagem que conferiu a seus portadores, se espalhou
                     rapidamente entre a população.

                     Essa mudança genética, segundo ele, foi de tal magnitude que
                     provavelmente tem algo a ver com a linguagem. E, talvez, tenha sido
                     o passo definitivo em sua evolução.

                     Se alguma alteração neural explica o aparecimento do
                     comportamento humano moderno há 50 mil anos, "é razoável supor
                     que ela promoveu a capacidade do discurso em fonemas rapidamente
                     pronunciados", escreve Klein.

                     Sintaxe - Na visão dos lingüistas, a linguagem é muito mais que a
                     palavra ouvida e a palavra pronunciada (input e output). A linguagem
                     sequer depende da fala, já que ela é possível, por exemplo, através
                     de sinais, como os usados pelos surdos. A essência da linguagem
                     está nas palavras e na sintaxe, ambas geradas por um sistema
                     combinatório no cérebro.

                     Se houvesse apenas um som para cada palavra, o vocabulário estaria
                     limitado a umas mil palavras, sons que poderiam ser distinguidos uns
                     dos outros.

                     Mas, ao produzir combinações de unidades sonoras arbitrárias, um
                     número enorme de palavras fica disponível. Mesmo alunos do ensino
                     médio têm um vocabulário com cerca de 60 mil delas.

                     O outro sistema combinatório é a sintaxe, o ordenamento hierárquico
                     de palavras numa frase para controlar seu significado. Chimpanzés
                     parecem não possuir nenhum desses sistemas.

                     Podem aprender cerca de 400 símbolos e agrupá-los, mas raramente
                     o fazem de maneira a sugerir qualquer noção de sintaxe. E não
                     porque seu pensamento seja limitado.

                     Eles têm um vasto universo conceitual, são capazes de reconhecer
                     indivíduos em sua comunidade e saber quem domina quem em sua
                     hierarquia. Mas carecem do sistema que codifica esses pensamentos
                     em linguagem.

                     Como então o sistema de codificação evoluiu nos descendentes
                     humanos do ancestral comum de homens e chimpanzés?

                     Um dos primeiros lingüistas a enfrentar esse problema foi Derek
                     Bickerton, da Universidade do Havaí, que estuda a língua franca,
                     frases simples produzidas a partir do nada por crianças ou por adultos
                     que não têm linguagem em comum, e idiomas como os falados em
                     regiões do sul dos EUA e países do Caribe - uma espécie de língua
                     franca com sintaxe composta por palavras de vários idiomas
                     diferentes.

                     Bickerton desenvolveu a tese de que uma proto-linguagem precedeu
                     a fala atual com sintaxe completa. Ecos dessa proto-linguagem
                     estariam nas primeiras palavras ditas pelas crianças, nos símbolos
                     usados por chimpanzés treinados e na fala sem sintaxe das crianças
                     que aprendem a falar fora da idade normal.

                     Numa série de artigos, Bickerton argumenta que os seres humanos
                     devem ter usado uma proto-linguagem (sem sintaxe) desde 2 milhões
                     de anos atrás. A linguagem moderna desenvolveu-se, diz ele, talvez
                     com o aparecimento dos humanos anatomicamente iguais a nós, há
                     uns 120 mil anos.

                     Savanas - O ímpeto para a evolução da linguagem ocorreu, de
                     acordo com ele, quando os nossos ancestrais abandonaram a
                     segurança da floresta e passaram a percorrer as savanas.

                     "A necessidade de transmitir informação foi a força propulsora", disse,
                     numa entrevista. Uma vez desenvolvidos símbolos que pudessem ser
                     usados livres de contexto - uma palavra para "elefante", em vez de
                     "um elefante vai nos atacar" -, esses seres humanos teriam dado os
                     primeiros passos rumo a uma proto-linguagem.

                     "Uma vez iniciado o processo, nada mais poderia detê-lo", afirmou
                     Bickerton.

                     Outra teoria é a do cuidado social. Especialista em psicologia
                     evolucionista, Robin Dunbar, da Universidade de Liverpool, Inglaterra,
                     observa que animais sociais como os macacos passam um tempo
                     enorme cuidando uns dos outros.

                     O objetivo não é apenas remover pulgas e piolhos, mas consolidar
                     relações sociais. Mas, quando o grupo cresce em tamanho, não há
                     tempo para que um indivíduo cuide de todos os outros. De acordo
                     com Dunbar, a linguagem evoluiu para unir comunidades maiores.

                     Cerca de 63% da conversação humana, segundo suas pesquisas, é
                     dedicada a questões de interação social (fofoca, por exemplo), não à
                     troca de informações técnicas - a vantagem da linguagem, na
                     avaliação de Bickerton.

                     Os novos trabalhos sobre a evolução da linguagem pelo menos
                     chamaram a atenção dos lingüistas, incluindo Noam Chomsky. No
                     início dos anos 70, ele propôs que a habilidade de aprender as normas
                     da gramática é inata, tese contestada por outros especialistas.

                     Seria de esperar que ele mostrasse interesse em como essa
                     capacidade se desenvolveu. Mas ele falava pouco a respeito, silêncio
                     interpretado como desdém.

                     Recentemente, porém, Chomsky mostrou-se interessado no trabalho
                     dos pesquisadores Hauser e W. Tecumseh Fitch sobre comunicação
                     animal.

                     No ano passado, os três escreveram um artigo para a revista
                     'Science' apresentando uma série de idéias sobre como a linguagem
                     evoluiu. Com base em trabalhos experimentais de Hauser e Fitch, eles
                     sustentam que a percepção e produção de sons podem ser
                     observadas em outros animais.

                     Um elemento central da linguagem é o que os lingüistas chamam de
                     recursividade, a habilidade mental de encadear uma frase na outra na
                     sintaxe de uma frase elaborada.

                     Os animais são incapazes disso. Mas ela pode ter se desenvolvido,
                     dizem os autores, a partir de outros sistemas cerebrais, como o
                     usado para navegação/orientação.

                     Coisas completamente diferentes, linguagem e navegação podem ter
                     origem em séries similares de computação neural. Se, por alguma
                     mutação, um módulo extra de navegação se desenvolveu no cérebro,
                     ele estaria livre para assumir outras funções, como a geração de
                     sintaxe.

                     "Se esse sistema se integrou ao resto da máquina cognitiva, então
                     você consegue tudo, música, moralidade e linguagem", diz Hauser.
                     (O Estado de SP, 27/7)
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                     JC e-mail 2328, de 25 de Julho de 2003.

Museu Nacional/UFRJ produz guia do acervo histórico, artístico
                     e científico da Família Real e Imperial

                     O Centro de Memória e Arquivo do Museu Nacional da UFRJ, na
                     Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, RJ, está montando um
                     arquivo digital de imagens de todas as obras da Família Real
                     Portuguesa ali existentes

                     As peças farão parte do 'Guia do Acervo Histórico, Artístico e
                     Científico da Família Real e Imperial', a ser lançado até o fim do ano
                     pelo Museu. Já foram registradas até agora mais de 150 imagens.

                     O trabalho é coordenado pela historiadora Regina Dantas, que tem
                     identificado os objetos a partir dos registros encontrados nos Livros
                     do Tombo de cada Departamento e também na direção do Museu.

                     Os objetos encontram-se nos Deptos. de Antropologia, de Botânica e
                     de Geologia e Paleontologia. Na sala da Direção existem objetos
                     pessoais e de mobiliário da Família Real.

                  Do novo Guia farão parte, por exemplo, a coleção mineralógica
                     (coleção Werner) - a primeira de teor científico ali existente -, e a
                     Torá, um conjunto de rolos sagrados escritos em hebraico e utilizados
                     pelo imperador Pedro II em seus estudos de lingüística.

                     Mas, a peça de destaque é, sem dúvida, o vaso em prata dourada e
                     coral trazido por D. João VI por ocasião da sua vinda para o Brasil,
                     em 1808.

                     O vaso traz um detalhe em alto relevo, em coral, representando uma
                     cena de batalha comandada pelo imperador romano Constantino I,
                     fundador de Constantinopla.

                     Uma vez pronto, o Guia do Acervo Histórico, Artístico e Científico
                     ficará disponibilizado também na Base Minerva da UFRJ, que não mais
                     reunirá registros unicamente bibliográficos, mas incluirá também
                     outros tipos de documentação, como peças de mobiliário e objetos
                     diversos.

                     O reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, pretende assim tornar a Base
                     Minerva uma forma de registro de todo o conhecimento produzido na
                     Universidade.
                     (Christina Miguez)
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JC e-mail 2327, de 24 de Julho de 2003.

Explosão vulcânica pode causar megaefeito estufa, diz pesquisa
 

Tragédia do gênero já teria ocorrido no Jurássico


                     Marcus Vinicius Marinho escreve para 'Folha de SP':

                     Uma grande erupção vulcânica tem o potencial de jogar tanto gás
                     carbônico na atmosfera que levaria à extinção grande parte das
                     espécies da Terra. Isso é o que sugere o estudo da equipe de Hans
                     Keppler, da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

                     Segundo Keppler, as grandes quantidades de carbono que existem no
                     manto superior terrestre (camada abaixo da crosta, de 35 a 440 km
                     de profundidade) devem estar concentradas na forma de carbonatos,
                     e não dissolvidas nas rochas do manto, como se acreditava
                     anteriormente.

                     A descoberta é alarmante, pois os carbonatos se decompõem
                     facilmente, liberando gás carbônico.

                     Como sugere Keppler, se uma área rica em carbonato do manto
                     terrestre entrar em contato com magma e uma posterior erupção
                     acontecer, grandes quantidades de gás carbônico poderão ser
                     lançadas de uma vez na atmosfera.

                     'Um aumento súbito na quantidade global de gás carbônico resultaria
                     em um efeito estufa de grandes proporções. Isso levaria a um
                     aumento repentino da temperatura, o que afetaria a maioria dos
                     ecossistemas e poderia levar à extinção em massa', disse à 'Folha'
                     Keppler, 41.

                     Um evento assim, sugere o autor, já aconteceu no início do Período
                     Jurássico (há cerca de 200 milhões de anos).

                     No manto terrestre, o carbono está em maior quantidade que na
                     atmosfera e na biosfera, sugerem análises de rocha proveniente de
                     erupções. Até agora, no entanto, não se sabia ao certo a forma na
                     qual ele se encontra.

                     A hipótese mais aceita, antes do estudo da equipe de Keppler, era a
                     de que ele estivesse dissolvido em minerais com base em silício, como
                     a olivina (mistura de silicatos de magnésio e ferro), principal
                     componente do manto superior.

                     Como a olivina não se dissolve bem no magma, nesse caso não
                     haveria risco de injeção de carbono subterrâneo na atmosfera.
                     Infelizmente, a equipe de Keppler provou que a olivina não é a 'casa'
                     do carbono no manto.

                     Solubilidade

                     Para tirar a prova sobre a forma na qual o carbono está, a equipe de
                     Keppler resolveu medir sua solubilidade em sólidos como a olivina,
                     reproduzindo as condições de pressão e temperatura do manto
                     superior.

                     A solubilidade medida pela equipe de Keppler foi muito pequena, cerca
                     de um centésimo do necessário para que todo o carbono lá disponível
                     estivesse dissolvido no minério.

                     O grupo de Keppler testou, então, a solubilidade do carbono em
                     outras formas de mineral presentes no manto e chegou à seguinte
                     conclusão: o carbono deve estar em reservatórios próprios,
                     separados do resto das rochas do manto, na forma de carbonatos.

                     Se o magma de erupções vulcânicas de larga escala entrar nesses
                     reservatórios ricos em carbono, gás carbônico pode ser formado e
                     depois empurrado até a atmosfera. Em grandes quantidades, o gás
                     causaria um efeito estufa de enormes proporções.

                     O estudo foi publicado na edição desta quinta-feira da revista
                     'Nature' (http://www.nature.com).
                     (Folha de SP, 24/7)
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Junho de 2003 (e período anterior)

20/06/2003
TERREMOTOS NO BRASIL E NO CHILE

            Os sismógrafos do Observatório Sismológico (SIS) da Universidade de Brasília (UnB) registraram nesta madrugada
de 20 de junho de 2003, às 03:24:16 (horário de Brasília), um terremoto de magnitude 7,0 (escala Mw, chamada magnitude
baseada no “momento sísmico”, i.é., uma versão moderna da escala clássica de Richter). O epicentro do terremoto foi
localizado a 115 km a leste de Cruzeiro do Sul (Acre), no estado de Amazonas, perto da divisa com o estado do Acre. A
profundidade do sismo foi de 553 km e, por isso, não foi sentido pela população.
            Sismos nessa região acontecem com certa freqüência, mas, devido à grande profundidade do foco, raramente são
percebidos; somente são detectados por sismógrafos.
            Esses sismos profundos acontecem devido à subducção da Placa de Nazca por debaixo da Placa Sul Americana, i.é.,
a Placa de Nazca, ao mergulhar por debaixo da Placa Sul Americana, em cima da qual estão localizados o Brasil e todos os
países da América do Sul, produz quebras ou rupturas profundas, ocasionando terremotos a grandes profundidades.
            Sismos de maiores magnitudes já ocorreram na região. Em 12/10/2002 um sismo de magnitude 6,9 ocorreu quase no
mesmo local e não foi sentido pela população. Durante os últimos 100 anos ocorreram cinco sismos com magnitude acima de
7.0 e, apesar da grande magnitude, nenhum causou danos na superfície.
            A nova e moderna estação sismográfica de Samuel/RO, de código SAML, operada pelo  SIS/UnB (estação ligada à
rede mundial de estações digitais com telemetria em tempo real) foi a estação sismográfica mais próxima ao epicentro e
registrou o sismo às 03:21:44 (horário de Brasília).
            Sete horas após a ocorrência do sismo do Amazonas, outro terremoto de magnitude um pouco menor (MW = 6,8)
aconteceu no centro do Chile. Ao contrário do primeiro, o terremoto do Chile foi um sismo superficial, profundidade de 34
km, portanto com potencial para produzir danos, apesar de não termos ainda notícias sobre os seus efeitos na superfície.
            Esses dois terremotos têm em comum o fato de serem resultantes da interação entre as Placas de Nazca e Sul
Americana. Entretanto, o sismo do Brasil foi causado por uma quebra da Placa de Nazca a grande profundidade, já o sismo
do Chile foi causado por uma ruptura na zona de contato entre as duas placas.

                  Prof. Lucas Vieira Barros                                                       Prof. Vasile Marza
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JC e-mail 2302, de 18 de Junho de 2003.

Cnen esclarece sobre efeitos da radiação natural na Amazônia

                     Equipe da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) esteve em
                     Monte Alegre, Pará, de 9 a 13 de junho. Moradores viviam
                     assustados, crendo que o urânio do subsolo aumentava os casos de
                     câncer na cidade

                     Luís Machado, da Cnen, informa:

                     Uma equipe da Cnen pôde levar uma boa notícia aos moradores de
                     Monte Alegre, município localizado no Baixo Amazonas, interior do
                     Pará.

                     Os níveis de radiação natural da cidade são semelhantes aos
                     registrados em várias outras regiões do Brasil e do Mundo e não
                     podem ser considerados a causa de um suposto aumento dos casos
                     de câncer.

                     Há vários anos havia o medo de que o urânio do subsolo emitisse um
                     nível de radiação capaz de provocar a doença.

                     Estudo da Cnen, que comparou as medidas da radioatividade natural
                     da cidade com recomendações internacionais do setor nuclear,
                     mostrou que não há motivos para a preocupação.

                     Equipe do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) da Cnen
                     esteve em Monte Alegre de 9 a 13 de junho.

                     Os técnicos apresentaram suas conclusões, realizaram novas medidas
                     e discutiram o assunto em reunião pública com mais de 400 pessoas,
                     entre lideranças políticas, religiosas, empresariais, professores,
                     estudantes e demais segmentos.

                     O verdadeiro pânico que se instaurou na cidade fez muita gente
                     literalmente perder o sono. A irmã Márcia Fernandes, que trabalha na
                     escola Imaculada Conceição, em Monte Alegre, esteve na reunião
                     pública.

                     Após as palestras dos técnicos do IRD, comentou que sua
                     congregação chegou a pedir que fosse embora da cidade em razão
                     do medo de que ela desenvolvesse algum tipo de câncer.

                     'Agora sei que não tenho motivos para sair daqui. Fico muito mais
                     tranqüila e vou voltar a dormir em paz', disse.

                     A diretora da Escola Municipal Orlando Costa, Mary Leal, ficou triste
                     ao lembrar episódios em que visitantes de fora da cidade evitavam
                     apertar as mãos dos montealegrenses.

                     'Era bastante triste. E tudo por causa da boataria do câncer. Vou
                     conversar com os meus alunos para colocar um ponto final nisto'.

                     Para entender como o assunto tomou estas dimensões é preciso
                     saber que o urânio é uma fonte radioativa natural da crosta
                     terrestre, assim como o tório e o potássio.

                     O homem sempre conviveu com níveis naturais de radiação
                     decorrentes destes elementos. Daí a origem do termo radioatividade
                     natural.

                     Há regiões que apresentam maior concentração de urânio, como
                     ocorre a 20 quilômetros do centro de Monte Alegre, na área
                     abrangendo a comunidade Inglês de Souza.

                     Casas, ruas, calçadas e outras obras da cidade utilizaram rochas e
                     terra do local. Foi o que bastou para alimentar a idéia de que os
                     habitantes vinham sendo vítimas fatais da radiação.

                     O medo da população aumentou quando jornais, TVs e a imprensa em
                     geral, baseados em estudo imprecisos realizados por instituições de
                     pesquisa do Norte do país, passaram a dar destaque aos níveis de
                     radiação da cidade e apontá-los como causas de câncer.

                     A Câmara de Vereadores de Monte Alegre encaminhou um pedido à
                     Cnen para que visitasse a cidade e esclarecesse os moradores.

                     'Sempre houve um pânico na população e a cidade sofreu prejuízos',
                     disse o prefeito de Monte Alegre, Jardel Vasconcelos.

                     A Cnen, integrante do Ministério da C&T, é o órgão responsável no
                     Brasil pela regulamentação e controle do setor nuclear. O IRD, com
                     mais de trinta anos de atuação, é o centro de referência brasileiro na
                     proteção das radiações.

                     Tem seus trabalhos reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde
                     (OMS) e pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). Foi
                     por esta experiência que conseguiu a confiança da população de
                     Monte Alegre e pôde resolver dúvidas e medos que existiam.

                     As conclusões que a Cnen apresentou na cidade resultaram de
                     medições feitas em 95 da radiação encontrada em alimentos, solo e
                     água e dos níveis do radônio, gás radioativo resultante do urânio.

                     As unidades de medida de radiação são pouco difundidas e ninguém é
                     obrigado a conhecê-las.

                     Para uma análise mais genérica, basta saber que a Comissão
                     Internacional de Proteção Radiológica recomenda intervenção em
                     casos onde a concentração média de radônio se encontre na faixa de
                     200 a 600 Bq/m³ (Bequeréis por metro cúbico).

                     Em 33 residências da zona urbana de Monte Alegre constatou-se uma
                     concentração média de 75 Bq/m³. Os valores ficaram entre 22 e 188
                     Bq/m³.

                     Em 19 casas da comunidade Inglês de Souza a concentração média
                     ficou em 116 Bq/m³. A variação foi de 40 a 338 Bq/m³.

                     O responsável pelas medidas realizadas em 1995, Vicente Melo
                     (mestre em biofísica ambiental), explica que um cálculo onde são
                     considerados os níveis do radônio e os da radiação registrada no
                     solo, água e alimentos permite estimar a dose anual de radiação de
                     uma população.

                     A unidade usada é o Sievert. Em Monte Alegre foi calculada uma dose
                     de 3,1 miliSievert por ano (mSv/ano).

                     O Comitê Científico das Nações Unidas Sobre Efeitos da Radiação
                     estima que a dose média mundial esteja em torno de 2,4 mSv/ano. 'A
                     cidade está bastante próxima da dose média mundial', observa Melo.

                     Para o coordenador da equipe da Cnen em Monte Alegre, Horst
                     Monken Fernandes (doutor em geoquímica ambiental), 'os valores
                     médios de radiação natural em Monte Alegre são compatíveis com os
                     de outras cidades no Brasil. Não há evidências científicas que
                     permitam associá-los a um aumento dos casos de câncer'.

                     Além de apresentar as avaliações, a equipe da Cnen aproveitou a
                     viagem para coletar amostras. Entre elas estão água e sedimento de
                     rios, água de poços, solos e também frutas, legumes e grãos da
                     região. Todas serão analisadas pelo IRD para reforçar as conclusões
                     do laudo que será emitido sobre a situação da cidade.

                     A Cnen não pode afirmar que a incidência de câncer na cidade esteja
                     aumentando ou diminuindo.

                     Não existem estudos na região que possam demonstrar de forma
                     científica alguma variação. Integrante da equipe da Cnen em Monte
                     Alegre, Lene Holanda Veiga (doutoranda em epidemiologia do câncer),
                     publicou um estudo comparativo entre a taxa de mortalidade por
                     câncer na região de Monte Alegre e a do estado do Pará.

                     Ela concluiu que 'a taxa de mortalidade por câncer em Monte Alegre
                     não é maior que o padrão estadual '. A pesquisadora observa, porém,
                     que existe a necessidade de se avaliar a incidência do câncer, uma
                     vez que a mortalidade não é um bom indicativo.

                     É importante ressaltar que o câncer já é a terceira causa de mortes
                     no Brasil (12,32% dos óbitos). Há vários fatores que precisam ser
                     levados em consideração quando se procura entender um possível
                     aumento de casos em determinada região.

                     As mudanças no mundo moderno e nos hábitos das pessoas podem
                     estar relacionadas à doença.

                     Entre elas se destacam o tabagismo, consumo de álcool,
                     envelhecimento da população, alimentação, medicamentos, fatores
                     ocupacionais, hábitos sexuais e exposições ambientais.
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Folha Online 17/06/2003.
Terremoto de 6,5 graus na península de Kamtchatka na Rússia
da France Presse, em Estrasburgo

Um tremor de 6,5 graus na escala Richter atingiu ontem à noite a península de Kamtchatka, na costa do Pacífico russa, afirma o Observatório de Ciência da Terra de Estrasburgo (leste da França).

O epicentro deste tremor que aconteceu às 22h07 (horário de Brasília) foi localizado a 53,88 graus de latitude norte e 157,5 graus de longitude Leste. Até ontem, o maior tremor da região desde 2000 tinha acontecido no dia 19 de outubro de 2001 e alcançado 5 graus na escala Richter.

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Folha de São Paulo Online 17/06/2003.
Evolução dos mamíferos é marcada por impacto de cometa

Após geólogos do Estado da Louisiana afirmarem na semana passada que um meteoro aniquilou 40% da vida no planeta há 380 milhões de anos, cientistas de New Jersey dizem que outro choque foi crucial para a evolução dos mamíferos.

Em um estudo publicado na revista "Earth and Planetary Science Letters" (earth.elsevier.com), eles defendem a idéia de que o aumento de temperatura entre o Paleoceno e o Eoceno, há 55 milhões de anos, foi consequência da queda de um cometa.

Pelo estudo de sedimentos líticos e marinhos, sabe-se que nesse período houve uma injeção rápida de carbono 12 na atmosfera da Terra, o que teria elevado os níveis de dióxido de carbono (CO2) e provocado um efeito estufa. Em menos de mil anos a temperatura global subiu 6ºC.

O aquecimento tornou o norte habitável e desobstruiu rotas de imigração, permitindo o deslocamento dos mamíferos. A exploração de diferentes recursos teria provocado a diversificação das espécies.

O geólogo Dennis Kent, da Universidade Rutgers e um dos autores do estudo, afirma que o impacto liberaria diretamente na atmosfera carbono necessário para aumentar a temperatura global de forma tão repentina.

"A elevação térmica parece ser um evento breve, pouco relacionado a tendências climáticas de longo prazo", disse. Mas ele afirma que o metano liberado dos mares --teoria mais aceita para explicar a mudança de temperatura-- provavelmente prolongou o aquecimento. "Nós apenas sugerimos que outra fonte de carbono deu início às coisas", explicou à rede de notícias BBC.

Kent afirma que o corpo que caiu na Terra teria cerca de 10 quilômetros de extensão. Sua equipe encontrou pequenas partículas ricas em ferro na costa leste dos Estados Unidos, similares às descobertas em outros pontos de impacto.

Os pesquisadores também baseiam-se em comparações com outro evento similar: a queda de um meteoro há 65 milhões de anos, a qual teria provocado mudanças climáticas que levaram à extinção dos dinossauros.

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                     JC e-mail 2301, de 17 de Junho de 2003.

Paleobotânica: Fóssil vegetal raro sai ilegalmente do Brasil

               Revista especializada britânica publica trabalho teuto-sueco com
                     descrição de planta contrabandeada do CE

                     Claudio Angelo escreve para a 'Folha de SP':

                     Um fóssil raro de 130 milhões de anos está ajudando os cientistas a
                     fechar um buraco na história evolutiva das plantas.

                     Ele teve sua descrição publicada na semana passada por um trio de
                     pesquisadoras da Suécia e da Alemanha, que o classificam como
                     'espetacular'.

                     Menos espetacular, talvez, seja o fato de a tal planta fóssil ter sido
                     contrabandeada do Brasil.

                     A descoberta é um exemplo de como o tráfico de fósseis afeta a
                     pesquisa nacional em favor de estrangeiros, principalmente europeus
                     e japoneses.

                     O estudo descrevendo a nova espécie, a Cratonia cotyledon, foi
                     publicado com destaque na última edição da revista 'Biology Letters',
                     da Royal Society (a maior academia de ciências do Reino Unido).

                     A autoria é de uma equipe liderada pela sueca Catarina Rydin, da
                     Universidade de Estocolmo.

                     O fóssil foi descoberto na chapada do Araripe, no Ceará (veja mapa à
                    dir.), e data do começo do Período Cretáceo (o último da era dos
                     dinossauros, de 144 milhões a 65 milhões de anos atrás).

                     Hoje ele pertence à coleção do Museu de História Natural de Berlim,
                     que também abriga diversos insetos fósseis do Brasil, alguns deles
                     ainda não descritos por cientistas.

                     'Posso dizer sem medo de errar que saiu ilegalmente, já que a
                     exportação de fósseis é proibida no Brasil', diz José Artur de Andrade,
                     um dos dois geólogos que o Departamento Nacional da Produção
                     Mineral mantém para fiscalizar os 9.000 km2 da chapada do Araripe,
                     um território quase do tamanho da Jamaica.

                     'Garantiram em Berlim que o fóssil havia sido obtido de forma regular',
                     diz Rydin.

                     É verdade: o museu adquiriu sua coleção do Araripe, com notas
                     fiscais, de um negociante de fósseis que tem autorização para
                     trabalhar na Alemanha. O caminho dos fósseis até chegarem 'limpos'
                     ao comprador final é que é tortuoso.

                     A legislação brasileira sobre o assunto, de 1942, estabelece que toda
                     saída de fósseis precisa ter autorização do DNPM, o que não
                     aconteceu nesse caso.

                     A planta do Cretáceo foi provavelmente comprada por um estrangeiro
                     de intermediários brasileiros, que pagam valores irrisórios - como R$ 1
                     - a trabalhadores rurais da região por espécimes retirados das
                     inúmeras pedreiras de municípios como Santana do Cariri, Crato e
                     Nova Olinda.

                     Os espécimes são então vendidos em feiras paleontológicas ou a
                     firmas autorizadas (o comércio é legal em alguns países) e vão parar
                     em museus ou coleções particulares.

                     Outros grandes fósseis que saíram do Araripe para o exterior incluem
                     pterossauros e pelo menos um dinossauro, o grande carnívoro
                     Irritator challengeri.

                     Espécie única

                     O alemão Michael Schwickert, dono da empresa MS-Fossil e preso no
                     ano passado no Ceará por comércio ilegal de fósseis, afirmou ter
                     vendido ao museu de Berlim uma coleção da chapada do Araripe,
                     'comprada de várias pessoas pela Europa'.

                     Segundo o DNPM, Schwickert está respondendo a processo em
                     liberdade.

                     A Cratonia cotyledon é uma raridade por se tratar de um exemplar de
                     planta com brotos e sementes. Pertence a um grupo vegetal
                     considerado 'fóssil vivo', o dos gnetales, cuja classificação ainda
                     desafia os botânicos.

                     'Esse grupo só tem três gêneros hoje, de distribuição limitada',
                     afirmou Rydin.

                     'Há muito tempo se suspeitava que esse grupo tivesse sido muito
                     mais espalhado em períodos geológicos anteriores, e a Cratonia
                     confirma essa idéia.'

                     Além disso, pelo estudo das impressões de estruturas presentes no
                     fóssil, Rydin e suas colegas Barbara Mohr e Else Frills concluíram que
                     a nova espécie é relacionada a outro 'fóssil vivo':

                     a planta africana 'tumboa', nome científico Welwitschia, vegetal
                     esquisito com aspecto de peruca só encontrado na Namíbia e em
                     Angola e sem nenhum parente vivo na Terra.

                     O parentesco entre as duas plantas é mais um reforço à tese de que
                     a América do Sul e a África estiveram ligadas na era dos dinossauros,
                     integrando o supercontinente Gonduana.

                     'Sementeiras fósseis são raras e este espécime completo com
                     características de Welwitschia é espetacular', afirma o artigo.

                     'Imagine o que esse material poderia render para um paleobotânico
                     brasileiro, com todo o conhecimento que teria sobre paleofloras do
                     Brasil', lamenta Reinaldo José Bertini, paleobiólogo da Unesp de Rio
                     Claro.
                     (Folha de SP, 17/6)

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JC e-mail 2300, de 16 de Junho de 2003.

Impacto matou peixes há 380 milhões de anos

                     Bólido levou 40% da fauna no mar à extinção; asteróides ajudaram a
                     moldar evolução da vida

                     Salvador Nogueira escreve para a 'Folha de SP':

                     O mar não estava para peixe há cerca de 380 milhões de anos. Num
                     desses lances súbitos que de tempos em tempos mudam os rumos da
                     história da evolução da vida na Terra, cerca de 40% da fauna
                     marinha existente foi extinta.

                     Cientistas americanos agora apontam a provável razão: para variar, a
                     culpa é do choque de um bólido celeste com o planeta.

                     O grupo de Brooks Ellwood, do Depto. de Geologia e Geofísica da
                     Universidade Estadual da Louisiana (EUA), foi buscar em Marrocos as
                     evidências da pancada cósmica.

                     Não encontrou uma cratera, como alguns poderiam prever, mas
                     apenas um punhado de concentrações esquisitas de alguns
                     elementos químicos numa camada de terra soterrada gradativamente
                     durante os últimos 380 milhões de anos.

                     Esses elementos, que incluem níquel, cromo, arsênio, vanádio e
                     cobalto, não são comuns na Terra, mas sobram em corpos
                     extraterrestres como asteróides.

                     A idéia é que o impacto de um desses bólidos com o planeta tenha
                     assentado na superfície uma quantidade incomum desses átomos
                     normalmente mais raros.

                     Os pesquisadores ainda não fizeram uma análise detalhada para saber
                     que tipo de corpo foi responsável pelo 'enriquecimento' do terreno, se
                     um asteróide ou um cometa.

                     Enquanto os primeiros normalmente residem num cinturão entre Marte
                     e Júpiter e são basicamente compostos por rocha, os segundos têm
                     origem na região além do planeta Netuno e são grandes pedras de
                     gelo sujo.

                     Apesar disso, já dá para dar um palpite. 'Não tentamos fazer isso,
                     mas, sim, a química indica que provavelmente não era um cometa',
                     diz Ellwood.

                     De todo jeito, ele diz que a importância de sua pesquisa, publicada
                     ontem na revista científica americana 'Science'
                     (http://www.sciencemag.org), é outra.

                     'As duas coisas realmente importantes, aqui, além do novo impacto e
                     das extinções, é que desenvolvemos um meio de achar evidências de
                     impacto -isso tem sido realmente difícil, no passado, porque essas
                     camadas do solo têm usualmente menos de um centímetro de
                     espessura', diz. 'É importante saber quão rotineiramente na história
                     da Terra tivemos um evento como esse, e se é algo sobre o qual
                     deveríamos estar muito preocupados.'

                     Histórico de impactos

                     A primeira confirmação irrefutável de um elo entre impactos de
                     asteróides e extinções em massa foi fornecido pelo físico americano
                     Luis Alvarez, que em 1980 identificou traços do elemento raro irídio
                     numa camada de terreno correspondente à época em que os
                     dinossauros foram extintos, há 65 milhões de anos.

                     De lá para cá, pelo menos uma outra grande extinção maciça foi
                     relacionada ao impacto de um bólido celeste -possivelmente a maior
                     delas, ocorrida há 235 milhões de anos. O episódio permitiu a
                     ascensão dos dinossauros.

                     A posterior, há 65 milhões de anos, acabou com o reinado dos
                     grandes répteis e iniciou o domínio dos mamíferos, que levou ao
                     surgimento da espécie humana.

                     Claro, sempre há a possibilidade de extinções e impactos serem
                     eventos separados, apenas ligados por coincidências. 'Acho que a
                     evidência de um impacto é muito boa', diz Ellwood.

                     'Entretanto, isso não significa necessariamente que o impacto tenha
                     causado a extinção. Pode ter sido apenas um acidente interessante,
                     ou pode ter contribuído para as extinções, mas não como causa
                     principal.'

                     Apesar disso, a quantidade de eventos de impacto seguido por
                     extinção maciça começa a excluir a hipótese de coincidências.

                     Estudos mostram que objetos com um quilômetro de diâmetro já são
                     capazes de danos notáveis à biosfera, levantando uma grossa
                     camada de poeira que impediria a luz do Sol de atingir a superfície por
                     algum tempo.

                     Há pelo menos 1.100 desses corpos com capacidade de 'encontrar' a
                     Terra.

                     Em razão disso, entender a dinâmica do Sistema Solar e sua
                     participação (pelo visto fundamental) nos rumos da vida no planeta é
                     questão prioritária para os cientistas. O homem pode muito bem ser a
                     próxima vítima.
                     (Folha de SP, 14/6)

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JC e-mail 2298, de 12 de Junho de 2003.

Fóssil mostra que 'Homo sapiens' era forte e africano

                     Dois homens e um menino que poderiam facilmente passar
                     despercebidos na rua entraram para a História da Humanidade. Para a
                     primeira linha do primeiro capítulo

                     Eles viveram há cerca de 160 mil anos e seus crânios são os mais
                     antigos e bem preservados fósseis de seres humanos modernos já
                     descobertos.

                     Foram achados na tórrida região de Afar, na Etiópia, de onde já
                     emergiram outras espécies de hominídeos. Como nós, são Homo
                     sapiens.

                     Porém, por terem um constituição física que os cientistas consideram
                     um pouco mais arcaica, ganharam uma classificação à parte, uma
                     subespécie: Homo sapiens idaltu - palavra que em língua afar
                     significa 'o mais velho'.

                     Os crânios apresentam uma visão um pouco mais nítida da nebulosa
                     aurora da Humanidade - um período em que sobram teorias e faltam
                     fósseis que as comprovem. É a primeira vez que podemos ver o rosto
                     de ancestrais diretos do homem.

                     Os fósseis do idaltu preenchem parte considerável desse abismo
                     evolutivo. Sua contribuição mais importante é reforçar a teoria de
                     que o homem surgiu na África.

                     Eva genética encontra o seu Adão fóssil

                     Eles são também a prova que geneticistas procuravam há duas
                     décadas para a Eva genética.

                     Segundo essa teoria, baseada em análises do DNA de milhares de
                     pessoas de todo o mundo, a Humanidade descende de uma mulher
                     que viveu na África, há cerca de 150 mil anos.

                     Com entre 154 mil e 160 mil anos, o homem idaltu é o Adão fóssil que
                     a Eva genética procurava.

                     Assunto de capa desta semana da 'Nature', uma das mais
                     importantes revistas científicas do mundo, a descoberta foi realizada
                     por uma equipe internacional liderada pelo americano Tim White, da
                     Universidade da Califórnia, e um dos mais experientes e
                     bem-sucedidos caçadores de fósseis humanos em atividade.

                     White ficou surpreso com a boa forma desse irmão mais velho da
                     Humanidade.

                     'Como esses crânios podemos ver como eram nossos ancestrais
                     diretos. Pegue o homem mais forte de qualquer população robusta
                     atual, adicione alguns hormônios e você terá o idaltu . Ele era
                     realmente forte e grande', disse White.

                     Os crânios foram achados em 1997, num vilarejo chamado Herto, um
                     lugar miserável, árido e extremamente quente, habitado durante
                     somente parte do ano devido ao clima hostil.

                     Ruim para os pastores etíopes, Herto - bem como o resto do Afar - é
                     um paraíso para os paleantropólogos (especialistas em espécies
                     ancestrais humanas).

                     Os dois homens deveriam ter entre 20 e 30 anos na época de sua
                     morte. O menino, cujo crânio era o que estava em pior estado,
                     fragmentado em 200 pedaços, teria 6 ou 7 anos de idade.

                     White e seu grupo (45 cientistas de 14 países) descobriram ainda
                     ossos de outras sete pessoas, mais de 600 artefatos de pedra e
                     restos da fauna que viveu na mesma época que o homem de Herto.

                     Foram precisos mais de três anos de testes somente para a datação
                     e mais de dois anos para análise.

                     O Homo sapiens idaltu é um elo entre nossa própria espécie e outras
                     espécies mais primitivas do gênero humano.

                     Sua descoberta afasta nosso parentesco com o homem de
                     neandertal (Homo neanderthalensis), agora mais do que nunca visto
                     como um primo europeu extinto do qual o ser humano moderno não
                     herdou qualquer vestígio.

                     'Até agora não tínhamos fósseis intermediários entre fósseis
                     pré-humanos e o homem moderno, num período de 100 mil a 300 mil
                     anos atrás. O homem de Herto veio preencher essa lacuna. Ele é
                     quase como nós e claramente não-neandertal', afirmou White.

                     'Na verdade, sequer Herto é tão diferente assim. Podemos
                     considerá-lo o mais antigo registro do homem moderno', observou o
                     inglês Chris Stringer, um dos maiores especialistas em evolução
                     humana do mundo e que fez a revisão do estudo para a 'Nature'.

                     Os instrumentos de pedra - principalmente machados e cortadores -
                     e ossos de hipopótamos quebrados até a medula indicam que esses
                     homens já tinham desenvolvido meios mais eficientes de obter
                     alimentos.

                     'Não há dúvida que essa gente gostava de comer hipopótamos. O
                     que não podemos dizer é se eles os caçavam ou se eram apenas
                     carniceiros', explicou Yonas Beyene, integrante da equipe de White.

                     Outro sinal de que o povo de Herto também já possuía características
                     essencialmente humanas são marcas de que os crânios foram
                     descarnados, gravados e polidos. Segundo o cientista etíope Berhane
                     Asfaw, que participou da descoberta, essas marcas foram deixadas
                     por rituais fúnebres.

                     'Cuidar dos mortos é parte do que nos faz humanos. Rituais assim já
                     foram vistos em outras culturas. Não sabemos, porém, se praticavam
                     canibalismo', disse Asfaw.

                     Etiópia, um lar ancestral

                     O Homo sapiens idaltu não foi o primeiro humano a deixar marcas no
                     Afar, na Etiópia.

                     Há milhões de anos, ancestrais ainda mais primitivos, muito mais
                     parecidos com macacos do que com homens, já vagavam por lá. Há
                     quase seis milhões de anos o Afar foi o lar do Ardipithecus ramidus.

                     O Australopithecus garhi viveu há 2,5 milhões de anos e foi,
                     supostamente, o primeiro hominídeo capaz de cortar carne para
                     comer. Na região foi achado ainda um fóssil do Homo erectus ,
                     fazendo do Afar um dos berços da Humanidade.

                     Se hoje Herto e a região que o cerca são desolados, lugares onde é
                     muito difícil viver, há 160 mil anos o Afar fervilhava de vida.

                     Na época boa parte da Europa, habitada pelo homem de neandertal,
                     estava enterrada pelo gelo.

                     Mas no Afar a temperatura mais quente e úmida permitia a existência
                     de um grande lago de água doce, rico em peixes.

                     Nas margens desse lago viviam crocodilos e hipopótamos. Na planície,
                     havia antílopes. Essa era a terra do Homo sapiens idaltu .
                     (O Globo, 12/6)
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Folha Online 16/6/2003 .
Cratera australiana tem 142 milhões de anos

A Nasa (agência espacial norte-americana) obteve, no dia 20 de maio, uma nova foto da cratera Gosses Bluff, localizada no norte da Austrália.


Divulgação/GSFC

Essa é uma das crateras formadas por meteoros ou cometas mais estudadas na região. O corpo celeste atingiu a Terra há cerca de 142 milhões de anos e tinha cerca de 1 quilômetro de diâmetro.

O país é um ambiente propício para o estudo de formações como essa, por causa do clima seco --que impede a deformação das crateras e a formação de coberturas vegetais.

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                     JC e-mail 2300, de 16 de Junho de 2003.

Ciência tenta explicar 'pára-e-anda' do universo

               Após desaceleração que se seguiu ao Big Bang, universo voltou a se
                     expandir rapidamente

                     John Noble Wilford escreve de Nashville, EUA, para o 'The New York
                     Times':

                     Analisando estrelas em explosão nos confins do espaço, os
                     astrônomos estão concluindo que as proporções das forças que
                     dominam o universo passaram por grandes mudanças durante a
                     história cósmica.

                     As conclusões, anunciadas em Nashville durante encontro no mês
                     passado da American Astronomical Society, são de que o universo
                     estava se expandindo num ritmo desacelerado há 7 bilhões de anos.
                     Desde então, a velocidade da expansão mudou.

                     'Temos agora boas pistas de que naquela época o universo estava
                     desacelerando', disse John Tonry, astrônomo da Universidade do
                     Havaí, que integra uma equipe de estudo de estrelas em explosão, ou
                     supernovas, em busca de sinais dos ritmos de expansão cósmica.

                     A nova pesquisa da equipe de Tonry e uma outra, chefiada por Saul
                     Perlmutter, do Lawrence Berkeley National Laboratory, na Califórnia,
                     confirmaram a surpreendente descoberta anterior de que o universo
                     está de fato se expandindo num ritmo acelerado nos últimos 1,2
                     bilhão de anos.

                     Mas quatro supernovas, a quase 7 bilhões de anos-luz, apareceram
                     numa era em que a expansão era mais lenta, explicou Tonry.

                     'Um universo pára-e-anda' é a maneira como o fenômeno foi
                     caracterizado por Robert P. Kirshner, do Centro para Astrofísica
                     Harvard Smithsonian. Bem, a expansão nunca parou realmente, ele
                     admite, mas certamente aumentou sua velocidade.

                     'Agora mesmo, o universo se movimenta mais depressa, com as
                     galáxias se afastando umas das outras como os pilotos da Indy 500
                     quando pisam fundo ao ver a bandeira verde', afirmou Kirshner, da
                     equipe de Tonry. 'Mas suspeitamos que não tenha sido sempre
                     assim.'

                     A mudança de andamento da expansão cósmica, combinada com as
                     descobertas sobre o Big Bang, leva os teóricos a pensar que houve
                     uma luta decisiva entre energia e forças escuras de matéria que
                     ninguém entende ainda.

                     A atração gravitacional combinada de todas as matérias no universo,
                     muitas das quais estão além do alcance de detecção, atuaram como
                     um freio na expansão cósmica. A assim chamada matéria escura
                     aparentemente teve vantagem quando o universo era mais jovem,
                     menor e mais denso.

                     Agora, o ritmo sempre crescente da expansão indica que algo mais,
                     ainda mais misterioso, está em ação. Os teóricos não estão seguros
                     sobre o que é a força antigravitacional, mas chamam isso de energia
                     escura. E ela aparentemente ganhou o controle.

                     Essa é a última reviravolta na história da expansão cósmica. Outrora,
                     os cientistas acreditavam que o universo era eternamente estático.
                     Depois, veio Edwin P. Hubble, que descobriu, há 70 anos, que as
                     galáxias estavam se afastando umas das outras em todas as
                     direções. O universo está se expandindo, anunciou Hubble.

                     Há cinco anos, os astrônomos afirmaram que, depois de uma explosão
                     inicial - o Big Bang -, a gravidade da matéria estava gradualmente
                     desacelerando.

                     Então, as duas equipes de estudo das supernovas descobriram que o
                     universo, ao contrário, estava acelerando. Isso aponta a existência
                     de algum tipo de energia escura permeando todo o espaço.

                     Para a pesquisa atual, os astrônomos observam o que é chamado
                     supernova Ia, explosões estelares que em seu auge são mais
                     brilhantes que 1 bilhão de estrelas como o Sol.

                     Elas são visíveis através de bilhões de anos-luz e um exame próximo
                     de sua luz revela as distâncias, movimentos e outras condições.

                     Kirshner diz que as quatro supernovas mais distantes indicam que há
                     7 bilhões de anos o universo estava, 'de fato, ganhando essa espécie
                     de cabo-de-guerra cósmico', mas agora a energia escura é
                     predominante.

                     A equipe de Tonry e Kirshner estima que cerca de 60% do universo é
                     preenchido com energia escura e 30% da massa é matéria escura. Os
                     10% remanescentes consistem de matéria comum, mas só 1% dela é
                     visível nas galáxias.

                     Os teóricos oferecem estimativas semelhantes e presumem que a
                     reviravolta da matéria escura para o domínio da energia escura
                     ocorreu provavelmente antes de 6,3 bilhões de anos atrás.

                     Perlmutter observa que seria necessário pesquisar muito mais para
                     determinar se a mudança de densidade do universo em expansão foi
                     a única razão pela qual a energia escura domina a dinâmica cósmica.

                     Ou as propriedades físicas da energia escura, o que quer que isso
                     seja, mudaram? Ele comentou que nas palavras de Edward Witten,
                     astrofísico teórico do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, a
                     verdadeira natureza da energia escura 'seria o item número 1' na sua
                     lista 'de coisas para decifrar'.

                     Os pesquisadores planejam outras observações de supernovas mais
                     distantes para determinar quando a aceleração cósmica começou e
                     reunir pistas sobre as propriedades da energia escura. Algumas
                     observações serão feitas por meio de telescópios terrestres e outras
                     pelo Hubble.

                     O grupo de Perlmutter propôs que se ponha em órbita um satélite
                     com telescópios especialmente projetados para perseguir e captar a
                     natureza da energia escura.

                     No seu recente livro The Extravagant Universe, Kirshner escreveu:

                     'Não somos feitos com o tipo de partículas que compõem grande
                     parte da matéria no universo e não temos ainda idéia de como
                     entender diretamente a energia escura que determina o destino do
                     universo. Se Copérnico nos ensinou a lição de que não somos o
                     centro das coisas, a imagem presente do universo enfatiza isso.'
                     (O Estado de SP, 15/6)

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                     JC e-mail 2300, de 16 de Junho de 2003.

Descobertos mais de 50 sítios pré-históricos no Piauí

               Unesco deve considerar o parque patrimônio natural

                     Marcia de Almeida escreve de São Raimundo Nonato, Piauí para 'O
                     Globo':

                     Nada menos que 53 sítios arqueológicos com pinturas rupestres foram
                     descobertos este mês na Serra da Capivara, no Piauí.

                     Considerado o estado mais pobre do país, o Piauí é, porém, dono do
                     mais impressionante patrimônio arqueológico do Brasil, com pinturas
                     rupestres, sepulturas e aldeias pré-históricas com milhares de anos.

                     A descoberta foi realizada numa área junto ao Parque Nacional da
                     Serra da Capivara, a 600 quilômetros de Teresina, dirigido pela
                     arqueóloga Niède Guidon. Há 30 anos, a cientista iniciou a chefia da
                     missão franco-brasileira que permitiu que se descobrisse os hoje mais
                     de 700 sítios arqueológicos já catalogados na Serra da Capivara.

                     Os sítios foram registrados pela Fundação Museu do Homem
                     Americano (Fumdham), organização não-governamental que é, com o
                     Ibama, responsável pela preservação das riquezas do parque,
                     declarado pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade, em 91.

                     Espera-se que o parque se torne no início de julho o primeiro
                     patrimônio misto brasileiro, se for declarado Patrimônio Natural da
                     Humanidade pela Unesco.

                     Só em 2002, mais de 80 sítios foram descobertos. Várias oficinas
                     líticas - nome dado pelos arqueólogos aos sítios com grande
                     ocorrência de pedras lascadas supostamente usadas como
                     instrumentos pelo homem pré-histórico - foram encontradas.

                     Uma delas com mais de cinco quilômetros de extensão e setecentos
                     metros de largura. Niède Guidon diz que ficou surpresa devido ao
                     tamanho e à qualidade do sítio.

                     Recentemente, foram encontradas oito urnas funerárias e 14
                     sepulturas. Segundo Niède Guidon, elas têm entre 1.500 e 6.000 anos
                     de idade. Devido à falta de verbas, ainda não foi possível fazer uma
                     datação precisa.

                     Para isso, será necessário que parcerias se concretizem (como o
                     convênio a ser assinado com a Texas A&M University) e verbas sejam
                     alocadas para a continuidade dos trabalhos.

                     Na Serra da Capivara, já foi encontrada uma pintura datada em 35 mil
                     anos, a mesma idade de sítios arqueológicos descobertos na França e
                     na Austrália.

                     Também no começo deste ano, encontrou-se a primeira peça de arte
                     decorativa, comprovando que, na região, houve mesmo uma cultura
                     sofisticada, uma tese defendida por Niède Guidon há muito anos.

                     A descoberta dos 53 sítios ressalta a importância do Piauí na
                     pré-história brasileira. Os sítios foram encontrados por uma equipe do
                     parque que fazia um trabalho de prospecção para dar o aval à
                     instalação de uma linha da CEPISA, a companhia estadual de energia
                     do estado.

                     Os pesquisadores e técnicos da Fumdham acabaram por se deparar
                     com os novo sítios, que já começaram a ser vistoriados.

                     A preocupação de Niède Guidon é preservar todo esse patrimônio.
                     Até há pouco tempo, mesmo o combustível dos carros do Ibama era
                     pago pela Fundação Museu do Homem Americano. Porém, com os
                     recursos escassos, a fundação já está sendo obrigada a demitir
                     funcionários.

                     Este ano um pedido de socorro emergencial feito ao governo federal
                     para reparar danos causados na infraestrutura do parque por chuvas
                     fortes foi negado. Agora, no período da seca, se houver algum foco
                     descontrolado de fogo, pode-se perder tudo.
                     (O Globo, 15/6)

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da Folha Online 13/06/2003.
Meteoro teria aniquilado 40% da vida há 380 milhões de anos
 

Um estudo publicado na edição de hoje da revista "Science"
(www.sciencemag.org) indica que o impacto de um meteoro na Terra, na região onde fica hoje o Marrocos, teria sido responsável pelo desaparecimento de 40% da vida no planeta há 380 milhões de anos.

Estima-se que um desastre de tal magnitude tenha ocorrido cerca de uma dezena de vezes ao longo da história do planeta. Mas apenas um apresenta ligação direta com a queda de um objeto extraterrestre (ainda que a hipótese não seja totalmente aceita pela comunidade científica): o desaparecimento dos dinossauros, há 65 milhões de anos, no período Cretáceo.

Era dos peixes

Evidências geológicas e químicas indicam, no entanto, que um bólido pode ser a causa do sumiço de 40% dos invertebrados marinhos durante o período Devoniano --também conhecido como "era dos peixes", quando a vida na Terra concentrava-se nos oceanos.

Geólogos da Universidade Estadual da Louisiana, da Universidade de Texas, ambas nos EUA, e do Instituto Científico do Marrocos identificaram pistas do choque ao examinar amostras de pedras do país africano.

Em uma camada geológica de 380 milhões de anos, eles encontraram características de impacto de meteoros, como grãos microscópicos de quartzo, cristais com menos de um centésimo de polegada e níveis elevados de níquel, cromo e cobalto.

Os pesquisadores também visualizaram sinais químicos de carbono nas rochas, o que indica a morte rápida e generalizada de organismos.

"Isso não significa que o impacto exterminou as criaturas, mas sugere que há alguma ligação", afirmou um dos autores da pesquisa, Brooks Ellwood, de Louisiana. A descoberta embasa a teoria de que catástrofes múltiplas seriam um mecanismo de condução evolutiva.

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Ambiente Brasil 07/06/2003
AMBIENTALISTAS TENTAM EVITAR PROSPEÇÃO DE PETRÓLEO EM ABROLHOS

Ambientalistas de várias organizações entregaram à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, documento propondo a exclusão do Banco de Abrolhos das áreas que a ANP - Agência Nacional de Petróleo vai licitar para prospecção e exploração de petróleo, em agosto.

A nova rodada de licitações prevê uma área de cerca de 19 mil quilômetros quadrados e nove bacias, uma delas abrange
parte do santuário ecológico de Abrolhos.

O banco está numa área de 32 mil km2, tem 35 unidades de conservação onde vivem 1500 espécimes de organismos
marinhos, sendo uma das únicas áreas da costa onde existem todas as espécies de corais do Brasil. A região vive da pesca,
do turismo e gera cerca de 100 mil empregos.

De acordo com o gerente do Programa Marinho, Guilherme Dutra, a exploração de petróleo na área afetará todo o
ecossistema, desde o processo de levantamento para mapeamento do subsolo até a fase de perfuração e de produção.

Isto sem contar com o risco de derramamento de óleo, que, segundo Dutra, “seria drástico para a comunidade que vive do
turismo e da pesca e para os animais da região”.

O Diretor de Licenciamento do Ibama, Nilvo Silva, afirmou que o governo vai analisar o documento entregue pelos
ambientalistas mas adiantou que tem a mesma preocupação em proteger a área de Abrolhos. Ele disse que o Ibama e a
ANP já tinham definido uma área de exclusão para a exploração do petróleo na costa e, especificamente, no Banco de
Abrolhos a área corresponde a 3.500 km2.

O diretor do Ibama adiantou que os ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia estão definindo uma política
integrada para evitar conflitos. A Agência Nacional de Petróleo realiza a licitação, mas é o Ibama que autoriza a pesquisa ou
a exploração. Um dos objetivos é mudar as regras sobre a licença ambiental que, em alguns casos, é dada depois da área
já ter sido licitada, o que acaba gerando problemas entre o governo, a comunidade e a empresa vencedora da licitação.
(Agência Brasil)

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JC e-mail 2298, de 12 de Junho de 2003.

Fóssil mostra que 'Homo sapiens' era forte e africano

                     Dois homens e um menino que poderiam facilmente passar
                     despercebidos na rua entraram para a História da Humanidade. Para a
                     primeira linha do primeiro capítulo

                     Eles viveram há cerca de 160 mil anos e seus crânios são os mais
                     antigos e bem preservados fósseis de seres humanos modernos já
                     descobertos.

                     Foram achados na tórrida região de Afar, na Etiópia, de onde já
                     emergiram outras espécies de hominídeos. Como nós, são Homo
                     sapiens.

                     Porém, por terem um constituição física que os cientistas consideram
                     um pouco mais arcaica, ganharam uma classificação à parte, uma
                     subespécie: Homo sapiens idaltu - palavra que em língua afar
                     significa 'o mais velho'.

                     Os crânios apresentam uma visão um pouco mais nítida da nebulosa
                     aurora da Humanidade - um período em que sobram teorias e faltam
                     fósseis que as comprovem. É a primeira vez que podemos ver o rosto
                     de ancestrais diretos do homem.

                     Os fósseis do idaltu preenchem parte considerável desse abismo
                     evolutivo. Sua contribuição mais importante é reforçar a teoria de
                     que o homem surgiu na África.

              Eva genética encontra o seu Adão fóssil

                     Eles são também a prova que geneticistas procuravam há duas
                     décadas para a Eva genética.

                     Segundo essa teoria, baseada em análises do DNA de milhares de
                     pessoas de todo o mundo, a Humanidade descende de uma mulher
                     que viveu na África, há cerca de 150 mil anos.

                     Com entre 154 mil e 160 mil anos, o homem idaltu é o Adão fóssil que
                     a Eva genética procurava.

                     Assunto de capa desta semana da 'Nature', uma das mais
                     importantes revistas científicas do mundo, a descoberta foi realizada
                     por uma equipe internacional liderada pelo americano Tim White, da
                     Universidade da Califórnia, e um dos mais experientes e
                     bem-sucedidos caçadores de fósseis humanos em atividade.

                     White ficou surpreso com a boa forma desse irmão mais velho da
                     Humanidade.

                     'Como esses crânios podemos ver como eram nossos ancestrais
                     diretos. Pegue o homem mais forte de qualquer população robusta
                     atual, adicione alguns hormônios e você terá o idaltu . Ele era
                     realmente forte e grande', disse White.

                     Os crânios foram achados em 1997, num vilarejo chamado Herto, um
                     lugar miserável, árido e extremamente quente, habitado durante
                     somente parte do ano devido ao clima hostil.

                     Ruim para os pastores etíopes, Herto - bem como o resto do Afar - é
                     um paraíso para os paleantropólogos (especialistas em espécies
                     ancestrais humanas).

                     Os dois homens deveriam ter entre 20 e 30 anos na época de sua
                     morte. O menino, cujo crânio era o que estava em pior estado,
                     fragmentado em 200 pedaços, teria 6 ou 7 anos de idade.

                     White e seu grupo (45 cientistas de 14 países) descobriram ainda
                     ossos de outras sete pessoas, mais de 600 artefatos de pedra e
                     restos da fauna que viveu na mesma época que o homem de Herto.

                     Foram precisos mais de três anos de testes somente para a datação
                     e mais de dois anos para análise.

                     O Homo sapiens idaltu é um elo entre nossa própria espécie e outras
                     espécies mais primitivas do gênero humano.

                     Sua descoberta afasta nosso parentesco com o homem de
                     neandertal (Homo neanderthalensis), agora mais do que nunca visto
                     como um primo europeu extinto do qual o ser humano moderno não
                     herdou qualquer vestígio.

                     'Até agora não tínhamos fósseis intermediários entre fósseis
                     pré-humanos e o homem moderno, num período de 100 mil a 300 mil
                     anos atrás. O homem de Herto veio preencher essa lacuna. Ele é
                     quase como nós e claramente não-neandertal', afirmou White.

                     'Na verdade, sequer Herto é tão diferente assim. Podemos
                     considerá-lo o mais antigo registro do homem moderno', observou o
                     inglês Chris Stringer, um dos maiores especialistas em evolução
                     humana do mundo e que fez a revisão do estudo para a 'Nature'.

                     Os instrumentos de pedra - principalmente machados e cortadores -
                     e ossos de hipopótamos quebrados até a medula indicam que esses
                     homens já tinham desenvolvido meios mais eficientes de obter
                     alimentos.

                     'Não há dúvida que essa gente gostava de comer hipopótamos. O
                     que não podemos dizer é se eles os caçavam ou se eram apenas
                     carniceiros', explicou Yonas Beyene, integrante da equipe de White.

                     Outro sinal de que o povo de Herto também já possuía características
                     essencialmente humanas são marcas de que os crânios foram
                     descarnados, gravados e polidos. Segundo o cientista etíope Berhane
                     Asfaw, que participou da descoberta, essas marcas foram deixadas
                     por rituais fúnebres.

                     'Cuidar dos mortos é parte do que nos faz humanos. Rituais assim já
                     foram vistos em outras culturas. Não sabemos, porém, se praticavam
                     canibalismo', disse Asfaw.

              Etiópia, um lar ancestral

                     O Homo sapiens idaltu não foi o primeiro humano a deixar marcas no
                     Afar, na Etiópia.

                     Há milhões de anos, ancestrais ainda mais primitivos, muito mais
                     parecidos com macacos do que com homens, já vagavam por lá. Há
                     quase seis milhões de anos o Afar foi o lar do Ardipithecus ramidus.

                     O Australopithecus garhi viveu há 2,5 milhões de anos e foi,
                     supostamente, o primeiro hominídeo capaz de cortar carne para
                     comer. Na região foi achado ainda um fóssil do Homo erectus ,
                     fazendo do Afar um dos berços da Humanidade.

                     Se hoje Herto e a região que o cerca são desolados, lugares onde é
                     muito difícil viver, há 160 mil anos o Afar fervilhava de vida.

                     Na época boa parte da Europa, habitada pelo homem de neandertal,
                     estava enterrada pelo gelo.

                     Mas no Afar a temperatura mais quente e úmida permitia a existência
                     de um grande lago de água doce, rico em peixes.

                     Nas margens desse lago viviam crocodilos e hipopótamos. Na planície,
                     havia antílopes. Essa era a terra do Homo sapiens idaltu .
                     (O Globo, 12/6)

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Nature 423, 673 (2003);12 June 2003

Quake triggers research expedition

DECLAN BUTLER

[PARIS] Last month's earthquake in Algeria has prompted European researchers to mount a
rare full-scale expedition to a region where political conflict over the past decade has sharply
curtailed their fieldwork.

The earthquake, which struck the coast on 21 May, killing more than 2,000 people, prompted
a French team of 30 Earth scientists to travel to Algeria to collaborate with colleagues at the
Centre for Research in Astronomy, Astrophysics and Geophysics in Algiers. At 6.7 on the
Richter scale, the earthquake was the worst in the region for more than 20 years.

The North African country lies on the southern side of the fault line at which the Eurasian and
African tectonic plates meet, making it interesting to seismologists.

The researchers hope to obtain valuable data about that side of the fault, which has been
neglected for more than a decade, says Alain Mauffret, a marine seismologist at the University
of Pierre and Marie Curie in Paris. Because of the conflict in Algeria, many Earth scientists
have emigrated from the country, and research by outsiders has been difficult. "We can't send
people there to have their throats cut," he says.

Mauffret, who helped to coordinate the mission for France's National Centre for Scientific
Research (CNRS), says the need to collect data on the earthquake and its aftershocks made it
vital to visit Algeria. The team has installed seismological monitoring equipment, and has
measured more than 1,000 aftershocks since 21 May. Underwater stations are due to be
added this week.

Satellite radar images are being used to measure ground deformation, and Global Positioning
System stations are being deployed to detect ground movements. A hypothesis that the
earthquake was triggered by an underwater landslide will be studied by a marine geophysics
research group in August, organized by the CNRS and IFREMER, France's national marine
research agency.
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                     JC e-mail 2297, de 11 de Junho de 2003.

Inaugurada em Aquidauana a primeira estação sismológica de MS

                     Com capacidade de detectar tremores de terra ocorridos no Brasil e
                     até em territórios andinos e argeliano, foi instalada, no último dia 30,
                     a primeira estação sismológica de Mato Grosso do Sul

                     O projeto é de Paulino E. Coelho, do campus de Aquidauana da
                     Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), intitulado
                     'Monitoramento sísmico da região de Aquidauana'.

                     Inserida na malha internacional de sensores, a estação foi batizada
                     de AQDB e 'é a última de um total de dez estações que irão monitorar
                     o território brasileiro por dois anos', informa o professor Paulino
                     Coelho.

                     Situada no campo de instrução Sgt. Ribeiro Pires, a estação está
                     equipada com um sismômetro STRECKEISEN STS-2, de última
                     geração, banda larga, capaz de detectar desde um simples 'ruído'
                     sísmico local (tremores imperceptíveis ao ser humano), até
                     terremotos, como o ocorrido recentemente na Argélia.

                     O custo dos equipamentos está estimado em R$ 100 mil.

                     Mais informações com Paulino E. Coelho pelo e-mail:
                     wastepec@hotmail.com
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JC e-mail 2297, de 11 de Junho de 2003.

Homem esteve perto da extinção há 70 mil anos

                     Na época, espécie foi reduzida a cerca de 2 mil indivíduos, segundo
                     pesquisadores

                     A raça humana esteve a um passo da extinção há 70 mil anos,
                     quando a população de Homo sapiens foi reduzida a cerca de 2 mil
                     indivíduos, segundo um estudo publicado na última edição do
                     American Journal of Human Genetics.

                     De acordo com os pesquisadores, da Universidade Stanford e da
                     Academia de Ciências da Rússia, a humanidade, durante esse período
                     crítico, esteve ameaçada por desastres naturais, doenças e
                     conflitos, que poderiam facilmente ter eliminado a espécie da face da
                     Terra. Quanto menor uma população, mais vulnerável ela é.

                     O estudo também sugere que os seres humanos modernos (Homo
                     sapiens sapiens) deixaram a África para povoar o resto do globo
                     nesta mesma época, entre 70 mil e 140 mil anos atrás.

                     E que, ao contrário dos nossos primos chimpanzés, todos os seres
                     humanos possuem praticamente o mesmo DNA.

                     Geneticamente, todas as pessoas são virtualmente idênticas, a não
                     ser por pequenas variações que resultam na individualidade de cada
                     um. Essa semelhança poderia ser resultado da redução no número de
                     indivíduos da espécie no passado.

                     Segundo os cientistas, um grupo de chimpanzés pode conter mais
                     variabilidade genética do que todas as 6 bilhões de pessoas no
                     planeta.

                     Humanos e chimpanzés teriam se separado a partir de um ancestral
                     comum há cerca de 5 milhões de anos.

                     O estudo foi baseado em análises do DNA de pessoas de 52 regiões
                     do planeta. (EFE)
                     (O Estado de SP, 11/6)
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6/6/2003 Terra está ficando mais verde, revela estudo da Nasa

Da Redação Folha de São Paulo
Em São Paulo
 

Um estudo da Nasa e do Departamento de Energia dos EUA concluiu que a Terra está se tornando mais verde nos últimos 20 anos. Segundo a pesquisa, à medida que o clima muda, as plantas estão crescendo mais.

O estudo global aparece na edição desta semana da revista "Science". O artigo diz que as mudanças climáticas proporcionaram doses extras de água, calor e luz do sol em áreas onde um ou mais desses ingredientes estavam faltando. As plantas se desenvolveram bem em lugares onde as condições climáticas anteriores limitavam o crescimento.
 


NASA Earth Observatory
Mapa mostra o aumento da produtividade das plantas durante um período de tempo. Em verde, regiões onde houve aumento, em marrom, decréscimo. A produtividade, que é o resultado líquido da absorção do carbono, aumentou nas regiões tropicais, onde as mudanças climáticas resultaram em menos nuvens e mais luz do Sol.
 

"Nosso estudo propõe que as mudanças climáticas são a principal causa para o aumento do crescimento das plantas nas últimas duas décadas, com menor contribuição da fertilização por dióxido de carbono e reflorestamento", diz Ramakrishna Nemani, principal autor do estudo, da Universidade de Montana.

De 1980 a 2000, mudanças no ambiente global incluíram duas das mais quentes décadas que se tem registro; três intensos El Ninõ; mudanças no padrão de nuvens tropicais e na dinâmica das monções; e um aumento de 9.3% no dióxido de carbono atmosférico.

Estudos anteriores feitos por Ranga Myneni, da Universidade de Boston, e Compton Tucker, da Nasa, apontaram aumento das estações de crescimento e da biomassa de madeira nas florestas em altas latitudes no planeta.

Outro co-autor, Charles Keeling, do Instituto Scripps de Oceanografia, alerta que ninguém sabe se esses impactos positivos são devidos a ciclos climáticos curtos, ou mudanças de longo prazo. Além disso, o aumento de populacional de 36% no planeta entre 1980 e 2000 encobre o maior crescimento das plantas.


NASA/ORBIMAGE
Sensores da Nasa a bordo do satélite OrbView-2 coletam dados da produtividade das plantas e do ciclo de carbono desde 1997. Este globo colorido é um mapa de 3 anos de dados contínuos mostrando áreas de fotossíntese produtiva tanto na terra quanto nos mares. Clique na imagem para ver animação.

Nemani e outros cientistas construíram uma mapa global da Produção Primária Líquida (NPP) de plantas a partir de dados de satélite sobre a intensidade do verde e a absorção da radiação solar. A NPP é a diferença entre o CO2 absorvido pelas plantas durante a fotosíntese, e o CO2 perdido pelas plantas durante a respiração. O NPP é a base para a comida, fibras e combustíveis derivados das plantas, sem os quais a vida não existiria no planeta. Os humanos se apropriam de aproximadamente metade do NPP global.

O NPP aumentou em média 6% de 1982 a 1999. Ecosistema em zonas tropicais e em altas latitudes no hemisfério Norte responderam por 80% desse aumento. O NPP aumentou significativamente em mais de 25% da área vegetal do planeta, mas caiu em 7% dessa área -isso mostra que as plantas respondem diferentemente ao clima, dependendo das condições locais.

As mudanças climáticas dos últimos 20 anos tendem a ser a direção de facilitar o crescimento das plantas. Em geral, em áreas onde as temperaturas restringiam o crescimento, o clima esquentou; onde era preciso mais luz do sol, as nuvens se dissiparam; e onde estava muito seco, choveu mais. Na Amazônia, o crescimento era limitado pelo bloqueio do Sol pelas nuvens, mas o céu tornou-se mais limpo. Na Índia, onde 1 bilhão de pessoas depende das chuvas, as monções tornaram-se mais confiáveis nos anos 90 do que nos anos 80.

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JC e-mail 2293, de 05 de Junho de 2003.

Nova expedição Bendegó, no sertão da Bahia, pela primeira vez
                     com equipamento geomagnético

                     Desta sexta até segunda-feira (6 a 9 de junho), realiza-se nova
                     expedição ao local onde foi encontrado o meteorito de Bendegó em
                     1784

                     Marcomede Rangel Nunes, do Observatório Nacional/MCT, informa:

                     O Observatório Nacional/MCT, no RJ, e o Observatório Antares, da
                     Univ. Est. de Feira de Santana, Bahia, organizam, agora de 6 a 9 de
                     junho, nova expedição ao local onde foi encontrado o meteorito de
                     Bendegó, de 2003.

                     Bendegó, o maior do Brasil, foi encontrado por um garoto em 1784,
                     no sertão de Monte Santo, no Estado da Bahia. O lugar fica a mais
                     de 350 km a Nortenoroeste de Salvador.

                     Desde 1888 o meteorito, que pesa mais de cinco toneladas está no
                     Museu Nacional, no RJ. Ele é composto de ferro e níquel.

                     Em 2002, também em junho, foi realizado a Expedição Pedra do
                     Bendegó, com os dois institutos, mais a Associação de Astrônomos
                     Amadores da Bahia.

                     O resultado foi a determinação precisa do lugar onde estava o
                     meteorito, a confecção do mapa do local, com uso de GPS
                     diferencial, uma exposição permanente de fotos da expedição de
                     1888 e nova réplica do meteorito e dois pedestais, exposta no hall de
                     entrada do Observatório Antares, em Feira de Santana.

                     O lugar do achado não pertence mais a Monte Santo, mas sim a
                     Uauá, com a criação do município.

                     A nova expedição, chamada Bendegó Magnético, é coordenada por
                     Marcomede Rangel, do Observatório Nacional, e Augusto Cesar
                     Orrico, diretor do Observatório Antares.

                     O trajeto, saindo de Feira de Santana, percorrerá Itapicuru (local
                     onde foi embarcado o meteorito no trem, para Salvador. em 1888),
                     Monte Santo e o lugar onde estava o meteorito, que fica a 35 km
                     dessa cidade, na caatinga.

                     O financiamento, transporte de pessoal e equipamento, será pela
                     Universidade Estadual de Feira de Santana.

                     No trabalho, será utilizado o Magnetômetro de Próton, aliado ao uso
                     de teodolito e GPS diferencial, além de outros equipamentos.

                     O Magnetômetro de Proton, do Observatório Nacional, fará a leitura
                     do valor do campo magnético do lugar. É altamento sensível e próprio
                     para o tipo de trabalho.

                     Na região do Bendegó, o valor do campo magnético está em torno de
                     25.100 nanotesla (unidade de medida), conforme cálculo feito pelo
                     tecnologista Constantino de Melo Mota.

                     Será feito uma varredura, de 20 em 20 m, numa área de 200 x 200 m,
                     a partir do lugar onde estava o meteorito.

                     No total, será uma malha de mais de 100 pontos medidos, com o
                     valor do campo geomagnético da área. Estará participando do
                     levantamento o técnico em geofísica Ronaldo Marins de Carvalho, da
                     Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional.

                     Entre sua especialidade está o levantamento geomagnetismo no
                     Brasil.

                     Marins já participou até da confecção da primeira carta
                     geomagnética do Paraguai. Ronaldo Marins e Marcomede Rangel farão
                     as leituras do Magnetômetro de Próton.

                     O restante da equipe do Observatório Antares/UEFS - Gemicre do
                     Nascimento Silva, Dejair Lobo dos Santos, Alberto Alves dos Santos,
                     Hebert Santos Carneiro e Antonio Cesar Oliveira Azevedo - dará apoio
                     ao trabalho, que será bastante cansativo, sobretudo porque é na
                     caatinga, com muitos cactus e arbustos.

                     Entre os objetivos da expedição está a confecção de um mapa,
                     goemagnético, com supostas anomalias do campo magnético
                     terrestre do lugar.

                     Principalmente porque o meteorito é composto de ferro e niquel,
                     diferente do que existe na região da caatinga local.

                     Como a maioria dos meteoritos nunca cai em pedaços, há
                     possibilidade, se houver outros fragmentos do Bendegó, de serem
                     encontrados.

                     Esse será o primeiro levantamento geomagnético da área, depois de
                     219 anos de encontrado o maior meteorito brasileiro.
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Folha Online 5/6/2003.
Confira alguns números da água no mundo

O preço médio da água encanada no mundo é de US$ 1,80 por m3. A falta desse sistema encarece o abastecimento. Cidades como Bangladesh chegam a pagar 250 vezes mais pela água transportada em caminhões.
No México, o fornecimento é oficialmente gratuito, mas os motoristas só entregam a água mediante pagamentos informais. Ter um reservatório em casa indica desperdício. Quem tem um consome 250 litros diários --20 vezes o consumo de quem recebe a água em vasilhas.

Mortes

A falta de água potável e saneamento básico mata 6.000 crianças por dia em todo o mundo.
Segundo dados do Banco Mundial, mais de 2,2 milhões de pessoas morrem todo ano e metade dos leitos hospitalares em todo o mundo estão ocupados por pacientes com doenças causadas pela escassez desses recursos.

Números curiosos

Fonte: CGIAR (Consultative Group on International Agricultural Research)

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Ambiente Brasil 04/06/2003

PETROBRAS ANUNCIA TRÊS NOVAS RESERVAS DESCOBERTAS NO ESPÍRITO SANTO

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (4) três novas descobertas de petróleo na plataforma continental do Espírito Santo,
nas proximidades dos campos de Jubarte e Cachalote, em área de exploração exclusiva da empresa. Os mapeamentos
iniciais permitem calcular para os três poços reservas de 500 milhões de barris. Na mesma área, foi anunciada no mês
passado, a descoberta do poço 1-EES-121, com reservas estimadas em 630 milhões de barris.

AUTONOMIA - A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, garantiu nesta quarta-feira, no Norte Fluminense, que as três
 novas descobertas da Petrobras na plataforma continental do Espírito Santo “agregam mais um passo em direção à
autonomia do país na produção de óleo”. Na avaliação da ministra, que participou da solenidade de abertura da Brasil
Offshore, em Macaé, o governo tem tido sorte, já que ocorreram recentemente várias descobertas significativas.
(Agência Brasil)
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04/06/2003 - 12h50

Descoberta na Bacia de Campos eleva em 30% produção da Petrobras

ANA PAULA GRABOIS
da Folha Online, em Macaé

A Petrobras poderá aumentar em 30% a sua produção com a nova descoberta no bloco BC-60, no Campo de Jubarte, na Bacia de Campos.

Segundo o gerente-executivo de exploração e produção da estatal, Francisco Nepomuceno, o bloco BC-60 já tem uma reserva de 2,1 bilhões de barris, acima do campo de Roncador, que é de 2 bilhões.

A Petrobras deve instalar entre uma e duas plataformas de produção de petróleo no campo de Jubarte, com capacidade de 180 mil barris diários cada.

Segundo Nepomuceno, devido ao tamanho da reserva, o campo comportaria duas plataformas. A produção total de petróleo da Petrobras é de 1,2 milhão de barris diários.

O executivo disse que o novo campo representa 20% das reservas totais do país. Até agosto, a estatal deve fazer mais três ou quatro perfurações no bloco e terá de devolver áreas onde não houve descobertas em 21 blocos.

Em breve, a Petrobras deverá instalar provisoriamente a plataforma P-34 para produzir petróleo no campo de Jubarte, cuja capacidade é de 60 mil barris por dia.

Nepomuceno participa da Conferência Internacional da Indústria Off-Shore de Petróleo e Gás em Macaé, no Rio de Janeiro.

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Folha Online 4/6/2003.
Mamutes da Era do Gelo alimentavam-se de grama

Cientistas canadenses descobriram o cardápio de mamutes, cavalos e búfalos que viveram durante a Era do Gelo, 24 mil anos atrás. Segundo eles, esses animais alimentavam-se de grama e folhas secas.

Os animais viviam em uma terra chamada Beringia, semelhante às regiões da Sibéria e Alasca, e que hoje está submersa pelo rio Bering.

Os pesquisadores do Museu Natural Canadense em Ottawa (Canadá) descobriram a dieta dessas criaturas depois de encontrar pequenos fósseis de grama e folhas secas semelhantes aos que teriam existido na Beringia. Ao contrário da vegetação encontrada na tundra moderna, que é esparsa, as gramas poderiam ter alimentado grandes populações de mamutes e outros animais.

Segundo o cientista Grant Zazula, da Universidade Fraser, em Burnaby (Vancouver), esse sistema poderia ter sustentado mamíferos por um ano inteiro. A descoberta foi publicada na revista "Nature" (www.nature.com). Os cientistas analisaram fósseis de três regiões canadenses com mais de 25 mil anos.

Para eles, a Beringia foi coberta por essa vegetação até mesmo durante os períodos mais frios da Era do Gelo e teria sido a forma como as criaturas sobreviveram.
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JC e-mail 2291, de 03 de Junho de 2003.

Exploração de petróleo pode afetar ecossistema na região de Abrolhos

                     Relatório recomenda exclusão de áreas em licitação

                     Uma das regiões de maior biodiversidade do oceano Atlântico pode
                     ser afetada pela exploração de petróleo.

                     Ambientalistas e cientistas afirmam que o banco dos Abrolhos, região
                     incluída na Quinta Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional do
                     Petróleo), é uma zona ecologicamente sensível, que deveria ficar de
                     fora das concessões da agência.

                     O banco compreende 32 mil km2 de água rasa, com recifes de coral e
                     manguezais, entre a Bahia e o Espírito Santo. Na região está o
                     Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, onde ocorrem espécies
                     endêmicas. Aves, tartarugas e baleias também habitam o local.

                     Por fazer parte da bacia sedimentar do Espírito Santo, o banco foi
                     incluído na licitação da ANP. Um estudo encomendado pela ONG
                     Conservation International, no entanto, mostra que o banco é uma
                     zona-tampão -ou seja, a exploração de petróleo ali pode afetar de
                     maneira dramática o ecossistema marinho e os recifes.

                     O relatório pede a exclusão de 230 blocos de licitação dos 1.070 da
                     Quinta Rodada. Nesta quarta-feira, ambientalistas se reúnem com a
                     ministra Marina Silva (Meio Ambiente) para apresentar o estudo.

                     A ANP informou que não há blocos oferecidos em regiões de recife de
                     coral, segundo um estudo de 1999. Segundo a agência, a seleção
                     dos blocos tem participação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
                     Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
                    (Folha de SP, 3/6)

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 JC e-mail 2291, de 03 de Junho de 2003.

Cnen estuda radiação natural de Monte Alegre

                     Técnicos da Comissão estarão na cidade paraense de 9 a 13 de
                     junho

                     Os níveis de radiação natural em Monte Alegre, município localizado
                     no Baixo Amazonas, interior do Pará, são semelhantes aos registrados
                     em várias outras cidades do Brasil e do Mundo e não podem ser
                     considerados a causa de um suposto aumento dos casos de câncer
                     na região.

                     Há vários anos os moradores convivem com o medo de que o urânio
                     do subsolo de Monte Alegre emita um nível de radiação capaz de
                     provocar a doença.

                     Um estudo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que
                     comparou as medidas da radioatividade natural da cidade com
                     recomendações internacionais do setor nuclear, mostra que não há
                     motivos para a preocupação existente.

                     Uma equipe do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD),
                     unidade da Cnen no RJ, estará em Monte Alegre de 9 a 13 de junho.
                     Os técnicos vão realizar novas medidas da radiação, apresentar as
                     conclusões e discutir o assunto com a população.

                     O urânio é uma fonte radioativa natural da crosta terrestre, assim
                     como o tório e o potássio, e o homem sempre conviveu com níveis
                     naturais de radiação decorrentes destes elementos. Daí a origem do
                     termo radioatividade natural.

                     Há regiões que apresentam uma maior concentração de urânio. É o
                     que ocorre a 20 quilômetros do centro de Monte Alegre, em uma área
                     abrangendo a comunidade Inglês de Souza.

                     Casas, ruas, calçadas e outras obras da cidade utilizaram rochas e
                     terra do local. Foi o que bastou para se alimentar a idéia de que os
                    habitantes vêm sendo vítimas fatais da radiação.

                     Idéia que foi referendada por algumas interpretações de dados
                     geradas a partir de diferentes estudos já realizados. Em 1995, a
                     Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou um importante
                     levantamento em 1.600 casas e instituições públicas da cidade.

                     Foram registradas medidas de radiação na faixa de 300 a 2.000 CPS
                     (contagens por segundo), quando um valor da média mundial estaria
                     entre 100 e 200 CPS.

                     No entanto, o equipamento usado nesse levantamento (um
                     cintilômetro) não é o mais apropriado para avaliar os riscos da
                     radiação. Além disso, as medidas mais elevadas foram registradas em
                     pontos específicos, não representando, de forma alguma, a exposição
                     média de toda a região.

                     O medo da população aumentou quando jornais, TVs e a imprensa em
                     geral passaram a dar destaque aos níveis de radiação da cidade e
                     apontá-los como prováveis causas de casos de câncer.

                     Uma das reportagens foi veiculada em 30 de agosto do ano passado
                     em rede nacional pelo Globo Repórter (Rede Globo) destacando a
                     'Amazônia Radioativa'.

                     Foi depois deste programa que a Câmara de Vereadores de Monte
                     Alegre encaminhou um pedido à Cnen para que visitasse a cidade e
                     esclarecesse os moradores.

                     'Há um certo pânico na população e a economia do município também
                     sofre prejuízos', resume o prefeito de Monte Alegre, Jardel
                     Vasconcelos.

                     A Cnen, integrante do MCT, é o órgão responsável no Brasil pela
                     regulamentação e controle do setor nuclear. Em sua estrutura, o IRD,
                     com mais de trinta anos de atuação, é o centro de referência
                     brasileiro na proteção contra as radiações.

                     Tem seus trabalhos reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde
                     (OMS) e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

                     É com esta experiência que pretende ajudar a população de Monte
                     Alegre a resolver as dúvidas e medos atuais. As conclusões que a
                     Cnen apresenta em Monte Alegre resultam de medições realizadas em
                     1995 da radiação encontrada em alimentos, solo e água da cidade e
                     dos níveis do radônio, gás radioativo resultante do urânio,
                     encontrado em todo o mundo.

                     As unidades de medida de radiação são pouco difundidas e ninguém é
                     obrigado a conhecê-las.

                     Para uma análise mais genérica, basta saber que a Comissão
                     Internacional de Proteção Radiológica recomenda intervenção em
                     casos onde a concentração média de radônio se encontre na faixa de
                     200 a 600 Bq/m³ (Bequeréis por metro cúbico).

                     Em 33 residências da zona urbana de Monte Alegre constatou-se uma
                     concentração média de 75 Bq/m³. Os valores ficaram entre 22 e 188
                     Bq/m³. Em 19 casas da comunidade Inglês de Souza a concentração
                     média ficou em 116 Bq/m³. A variação foi de 40 a 338 Bq/m³.

                     O responsável pelas medidas realizadas em 1995, Vicente Melo
                     (mestre em biofísica ambiental), explica que um cálculo onde são
                     considerados os níveis do radônio e os da radiação registrada no
                     solo, água e alimentos permite estimar a dose anual de radiação de
                     uma população.

                     A unidade usada é o Sievert. Em Monte Alegre foi calculada uma dose
                     de 3,1 miliSievert por ano (mSv/ano). O Comitê Científico das Nações
                     Unidas Sobre Efeitos da Radiação estima que a dose média mundial
                     esteja em torno de 2,4 mSv/ano. 'A cidade está bastante próxima da
                     dose média mundial', observa Melo.

                     Para o coordenador da equipe da Cnen em Monte Alegre, Horst
                     Monken Fernandes (doutor em geoquímica ambiental), 'os valores
                     médios de radiação natural em Monte Alegre são compatíveis com os
                     de outras cidades no Brasil. Não há evidências científicas que
                     permitam associá-los a um aumento dos casos de câncer. O estado
                     de ansiedade injustificado da população pode ser um agente mais
                     danoso à saúde do que a própria radiação'.

                     A Cnen não pode afirmar que a incidência de câncer na cidade esteja
                     aumentando ou diminuindo. Não existem estudos na região que
                     possam demonstrar de forma científica alguma variação.

                     Integrante da equipe da Cnen em Monte Alegre, Lene Holanda Veiga
                     (doutoranda em epidemiologia do câncer), publicou um estudo
                     comparativo entre a taxa de mortalidade por câncer na região de
                     Monte Alegre e a do estado do Pará.

                     Ela concluiu que 'a taxa de mortalidade por câncer em Monte Alegre
                     não é maior que o padrão estadual'. A pesquisadora observa, porém,
                     que existe a necessidade de se avaliar a incidência do câncer, uma
                     vez que a mortalidade não é um bom indicativo.

                     É importante ressaltar que o câncer já é a terceira causa de mortes
                     no Brasil (12,32% dos óbitos). Há vários fatores que precisam ser
                     levados em consideração quando se procura entender um possível
                     aumento de casos em determinada região.

                     As mudanças no mundo moderno e nos hábitos das pessoas podem
                     estar relacionadas à doença. Entre elas se destacam o tabagismo,
                     consumo de álcool, envelhecimento da população, alimentação,
                     medicamentos, fatores ocupacionais, hábitos sexuais e exposições
                     ambientais.

                     Equipe da Cnen em Monte Alegre:

                     - Horst Monken Fernandes (doutor em geoquímica ambiental) - chefe
                     da Divisão de Radioecologia do Depto. de Proteção Radiológica e
                     Ambiental (Depra) do IRD

                     - Lene Sadler Veiga (doutoranda em epidemiologia do câncer) -
                     pesquisadora da Divisão de Radioecologia do Depra

                     - Vicente Melo (mestre em biofísica ambiental) - pesquisador da
                     Divisão de Radioecologia do Depra
                     (Assessoria de Comunicação da Cnen)

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JC e-mail 2291, de 03 de Junho de 2003.

Nave européia parte em busca de vida em Marte

                     A Europa deu início nesta segunda-feira com sucesso ao seu maior
                     sonho no espaço. A nave Mars Express foi lançada com êxito, a
                     bordo de um foguete russo Soyuz, da base de Baikonur, no
                     Cazaquistão

                     A missão é considerada histórica pelos europeus. É a primeira nave
                     para outro planeta lançada pela Agência Espacial Européia (ESA) e
                     também a primeira missão espacial dedicada exclusivamente à busca
                     de vida em Marte.

                     A Mars Express leva a bordo a sonda Beagle 2, que pousará em Marte
                     em busca de vida.

                     O projeto é inteiramente da ESA, da nave à sonda. A última missão
                     não americana para Marte foi a desafortunada Mars 96, da Rússia. A
                     nave, porém, espatifou-se no Oceano Pacífico logo após o seu
                     lançamento.

                     Europeus e americanos não falam em competição. Coincidentemente,
                     porém, a Nasa, a agência espacial americana, lançará este mês duas
                     naves para Marte.

                     As Mars Exploration Rover são naves gêmeas, que levarão
                     carrinhos-robôs para explorar a superfície do planeta em busca de
                     sinais de vida. A primeira nave americana decola no domingo, dia 8. A
                     segunda no dia 25.

                     Nesta segunda-feira, em Baikonur, dezenas de técnicos da ESA
                     acompanharam o lançamento e não esconderam o alívio após a
                     constatação de que o vôo está transcorrendo conforme o planejado.

                     A alma da Mars Express é a Beagle 2. Construída pela Grã-Bretanha,
                     a sonda foi batizada em homenagem ao Beagle, o navio usado por
                     Charles Darwin em sua histórica viagem a Galápagos.

                     A chegada em Marte está prevista para daqui a seis meses. Uma vez
                     na atmosfera do planeta, a Mars Express lançará a Beagle 2 na
                     superfície marciana.

                     A pequena sonda é equipada com câmaras de alta definição e um
                     braço-robô. Ela enviará para a Terra imagens de alta qualidade e os
                     dados de análises de amostras do solo marciano coletados pelo
                     braço-robô.

                     Nas informações que ela enviar cientistas esperam obter provas
                     sobre a existência de água em estado líquido e, principalmente, de
                     vida.

                     Os cientistas acham possível que Marte abrigue ou já tenha abrigado
                     formas de vida muito simples.

                     Basicamente, microorganismos semelhantes a bactérias
                     extremamente resistentes encontradas em lugares hostis da Terra,
                     como fontes vulcânicas oceânicas e mesmo na Antártica.

                     'Aprender mais sobre Marte é importante porque tudo o aconteceu lá
                     poderia ocorrer na Terra também', disse o diretor científico da ESA,
                     David Southwood.
                     (O Globo, 3/6)

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JC e-mail 2291, de 03 de Junho de 2003.

Grupo busca sinais de geleira no Nordeste

                     Cientistas brasileiros e americanos já encontraram rastro de iceberg
                     com 25 m e 300 milhões de anos em Sergipe

                     Ricardo Bonalume Neto escreve para a 'Folha de SP';

                     Um grupo de sete pesquisadores do Brasil e dos EUA irá neste mês ao
                     Nordeste em busca de algo que pode parecer loucura: rastros da
                     passagem de geleiras pela região.

                     Mas não é: já foi encontrado um sulco na rocha com 25 m de
                     comprimento revelando a passagem de um iceberg perto de Curituba
                     (SE) há 300 milhões de anos, como relatou a última edição da revista
                     'Pesquisa Fapesp'.

                     Os geólogos querem agora achar estruturas semelhantes em outros
                     locais da região e com isso ter uma noção mais exata da área das
                     geleiras em eras glaciais passadas.

                     'São áreas enormes. Essa glaciação foi uma coisa fantástica', diz
                     Antonio Carlos Rocha Campos, do Instituto de Geociências da USP e
                     coordenador do Grupo de Estudo sobre Sedimentação Glacial.
                     Participam do também estudo cientistas da Unesp e da Universidade
                     de Minnesota.

                     A glaciação do iceberg de Curituba ocorreu no final do Período
                     Carbonífero e início do Permiano. Seu clímax foi há 300 milhões de
                     anos, mas a imprecisão ainda é grande, diz Rocha Campos -não se
                     sabe se a glaciação durou 15 milhões ou 30 milhões de anos.

                     Outros pontos do país também foram afetados na época. Rochas de
                     origem glacial são comumente encontradas na bacia sedimentar do
                     rio Paraná, a área mais estudada. Outras evidências foram
                     encontradas na bacia dos Parecis, em Mato Grosso e Rondônia, e no
                     noroeste de Minas Gerais.

                     'Em seu conjunto, as ocorrências conhecidas indicam que a superfície
                     terrestre afetada direta ou indiretamente pelas massas de gelo,
                     durante o Carbonífero e o Permiano, abrange mais de dois terços do
                     território nacional', afirma Rocha Campos.

                     Um mapa preparado pelo grupo mostra o alcance estimado dessas
                     geleiras mas foi feito de modo 'conservador', isto é, usando apenas
                     os pontos para os quais existem evidências, sem especular onde mais
                     poderia haver gelo.

                     Há 300 milhões de anos o Brasil estava ligado à África, fazendo parte
                     do grande continente chamado Gonduana que também incluía Arábia,
                     Índia, Antártida e Austrália.

                     Os achados geológicos nas áreas da África que eram então contíguas
                     ao Brasil, como a Namíbia e o Gabão, também têm revelado
                     evidências da glaciação do Carbonífero-Permiano.

                     Não foi apenas uma vez que parte do Brasil foi coberta por gelo.
                     Existem registros de quatro glaciações anteriores, menos extensas
                     em área e em duração. Mas em uma delas, ocorrida no início do
                     período Siluriano (430 milhões de anos atrás), havia gelo até na
                     região amazônica.

                     As geleiras não constituíam uma massa de gelo uniforme, mas
                     diversas 'línguas' de gelo entrando pelo território. As áreas em torno
                     eram afetadas, criando ambientes que lembram por exemplo a
                     Islândia, com vegetação de árvores pequenas e arbustos.

                     Há 300 milhões de anos, o território brasileiro ficava mais de 3.000 km
                     ao sul.
                     (Folha de SP, 3/6)

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MUSEU DE CIÊNCIAS DA TERRA
O Grupo de Trabalho criado pela Portaria Interministerial nº 2002, de 18 de julho de 2002, convoca assembléia no Rio de
Janeiro, em dezembro de 2002, para discussão e aprovação do estatuto do Museu de Ciência da Terra.
O Museu de Ciências da Terra teria por função gerir o acervo mineral, paleontológico e documental que está depositado no
antigo prédio do DNPM, no bairro da Urca, Rio de Janeiro.
O Secretário de Minas e Metalurgia do MME, Dr. Frederico Lopes Meira Barboza, respondendo a questionamento
da FEBRAGEO e da APGRJ (Rio de Janeiro), sobre o assunto, destacou:
"Encontra-se ainda em estudo no âmbito desta Secretaria, contando com a participação do DNPM, da CPRM, da ANP e
demais outras instituições públicas, membros da Portaria Interministerial para revitalização do Museu de Ciências da
Terra, uma avaliação quanto à criação de uma instituição, a qual abrigaria o referido Museu, não havendo portanto até
a presente data uma tomada de decisão relativa ao ordenamento legal dessa instituição."

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JC e-mail 2289, de 30 de Maio de 2003.

Nova exposição da Estação Ciencia explica a importância do
                     petróleo, rochas e vulcões

                     Em 10 de junho será aberta, na Estação Ciencia, a exposição
                     'Petróleo - Uma Fonte de Energia'

                     Para representar os materiais terrestres, vitrines com amostras de
                     minérios, minerais, gemas e rochas acompanhadas por painéis, entre
                     os quais, o mapa geológico do Brasil.

                     Como atividade interativa, os visitantes podem manusear minerais e
                     rochas, observando características que auxiliam a identificação
                     desses materiais como, por exemplo, consistência, aspereza ou
                     suavidade ao tato e executar testes de dureza.

                     Para saber sobre a dinâmica interna da Terra, o publico pode dividir,
                     em partes, um pequeno globo terrestre e observar as diferentes
                     camadas.

                     A maquete de um vulcão em atividade, onde o magma escorre da
                     cratera promete ser uma das grandes vedetes da exposição. A
                     possibilidade de interação acontece, também, com os fenômenos de
                     dobramentos e falhamentos de rochas, através de modelos feitos em
                     caixas acrílicas com varias camadas de espuma, em que o visitante
                     pode movimenta-las.

                     O petróleo esta representado em maquetes, painéis, objetos e
                     mapas.

                     Na maquete Fontes de Energia Naturais, o visitante consegue
                     visualizar e comparar facilmente as formas naturais de obtenção de
                     energia. Na maquete Do Poço ao Posto e mostrado através de luzes
                     todo o trajeto do petróleo, desde a extração ate sua venda como
                     combustível.

                     Para as crianças, estórias em quadrinhos gigantes contam a historia
                     do petróleo no Brasil e sua utilização desde a Antigüidade.

                     No piso superior, ha um local para aqueles que desejam obter mais
                     informações sobre os assuntos tratados na exposição, onde estarão
                     disponíveis três micros com acesso a Internet, TV, vídeo cassete,
                     coleção de fitas de vídeo, pequena biblioteca com aproximadamente
                     45 títulos sobre Biologia, Cavernas, Plásticos, Petróleo, entre outros
                     assuntos.

                     A exposição é patrocinada pela Petrobras.

                     A Estação Ciencia localiza-se a Rua Guaicurus, 1394 - Lapa e
                     funciona de 3ª a 6ª feira, das 8h as 18h, sábado, domingo e feriado,
                     das 13h as 18h.

                     Entrada franca. Telefone: (11) 3673.7022
                     (Assessoria de Comunicação da Estação Ciência - USP)

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JC e-mail 2289, de 30 de Maio de 2003.

Satélite dá pistas sobre misterioso disparo cósmico

                     Enquanto analisava imagens em raios X tomadas do Sol em dezembro,
                     um satélite da Nasa (agência espacial americana) chamado Rhessi
                     captou um poderoso disparo de raios gama vindo de uma distância de
                     vários bilhões de anos-luz

                     A observação ao acaso, dizem os astrônomos, mostrou a força motriz
                     por trás do que parecem ser as explosões mais poderosas do
                     Universo.

                     O anúncio dos resultados foi feito durante a reunião da Sociedade
                     Astronômica Americana, atualmente em andamento nos EUA.

                     Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley dizem
                     que a coerência e o alinhamento (algo genericamente denominado
                     polarização) da radiação gama sugeria que o disparo de energia
                     tenha surgido a partir de uma região de campos magnéticos
                     altamente estruturados.

                     Esses campos emergiriam em torno de supernovas, estrelas muito
                     maciças que chegam ao final da vida e explodem. ('The New Yok
                     Times)
                     (Folha de SP, 30/5)

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 JC e-mail 2288, de 29 de Maio de 2003.

Equipe acha 'fábrica' de estrelas explosivas em par de galáxias
                     em colisão

                     Astrônomos do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA e
                     do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa (agência espacial
                     americana), encontraram o que estão chamando de uma 'fábrica de
                     supernovas'

                     Salvador Nogueira escreve para a 'Folha de SP';

                     A região foi gerada pela colisão de duas galáxias, a 140 milhões de
                     anos-luz de distância, e produz supernovas num ritmo 50 vezes
                     superior ao normalmente observado na Via Láctea.

                     Na galáxia, que abriga o Sol e a Terra, uma supernova surge em
                     média a cada cem anos. Na região distante observada pelos
                     astrônomos, designada Arp 299, esse tipo de evento acontece a
                     cada dois anos.

                     Supernovas surgem de duas maneiras. Ou são o resultado da morte
                     de uma estrela, que ao final da vida ejeta suas camadas exteriores e
                     explode, ou são causadas pelo canibalismo de uma estrela por outra
                     vizinha, que gera espasmos ocasionais e ejeção de material estelar.

                     Nos dois casos é produzido um brilho intenso, de 100 bilhões de sóis.

                     Acredita-se que a fábrica de supernovas seja resultado da colisão
                     galáctica. Os cientistas esperam que suas observações permitam
                     entender o processo, que deve ter sido comum no Universo primitivo.

                     Outro anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo Observatório Europeu
                     do Sul: a descoberta de uma galáxia que figura entre as mais
                     distantes já encontradas.

                     A luz dela que chega à Terra hoje foi produzida só 900 milhões de
                     anos após o nascimento do Universo, que conta atualmente com
                     cerca de 13,7 bilhões de anos.
                     (Folha de SP, 29/5)

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                                                      Terça-Feira, 03 de junho de 2003

                     JC e-mail 2288, de 29 de Maio de 2003.

Mata Atlântica perdeu 10 mil km2 em 11 anos

                     É como se um campo de futebol fosse devastado a cada quatro
                     minutos

                     Nos últimos 11 anos, período em que o Projeto de Lei da Mata
                     Atlântica tramita no Congresso Nacional, o bioma perdeu mais de 10
                     mil quilômetros quadrados de florestas. É como se um campo de
                     futebol fosse devastado a cada quatro minutos.

                     Segundo Márcia Hirota, diretora de projetos da SOS Mata Atlântica,
                     esses dados são baseados no Atlas dos Remanescentes da Mata
                     Atlântica, produzido pela SOS em parceira com o Instituto Nacional
                     de Pesquisas Espaciais (Inpe).

                     'Isso representa uma área maior do que o Distrito Federal ou do que a
                     Região Metropolitana de SP, formada por 37 municípios', disse.

                     A perda da biodiversidade é um dos principais reflexos dessa
                     destruição, como demonstrou a lista das espécies brasileiras
                     ameaçadas de extinção, divulgada pela Ministério do Meio Ambiente,
                     na semana passada.

                     'Mais do que a área desmatada perdeu-se nesse período a
                     possibilidade de apoiar de forma consistente iniciativas de
                     conservação e recuperação da Mata Atlântica, já que o projeto de lei
                     normatiza o uso sustentável da floresta', disse João Paulo
                     Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do
                     Meio Ambiente.

                     Para ele, a aplicação rigorosa do Decreto 750, legislação de proteção
                     à Mata Atlântica em vigor, poderia ter evitado o desmatamento, mas
                     isso é quase impossível sem estar associado a alternativas de uso.

                     Os maiores prejudicados com a falta de aprovação doprojeto de lei
                     foram os proprietários de áreas de Mata Atlântica que querem
                     trabalhar dentro da legalidade e com preocupação ambiental.
                     (Jornal do Commercio, Recife, 29/5)

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                                                      Terça-Feira, 03 de junho de 2003

                           JC e-mail 2287, de 28 de Maio de 2003.

Cientistas simulam queda de asteróide

                     Cientistas da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, fizeram uma
                     simulação computadorizada da queda de um gigantesco asteróide no
                     Oceano Atlântico, a 500 quilômetros da costa dos EUA

                     O impacto, com força de 60 mil megatons, abriria um 'buraco' no
                     oceano de 19 quilômetros de extensão e levantaria ondas gigantes
                     com mais de 120 metros.

                     A simulação é baseada no asteróide 1950 DA, de mais de 1
                     quilômetro de diâmetro, que passará próximo da Terra em 2880 e tem
                     0,3% de chance de se chocar com o planeta.

                     As maiores ondas, segundo nota divulgada pela Nasa, chegariam ao
                     continente em duas horas. O estudo será publicado na edição de
                     junho do Geophysical Journal International.
                     (O Estado de SP, 28/5)
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II SIMPÓSIO DE ÁGUAS MINERAIS DISPONIBILIZA PALESTRAS
         Os textos de palestras técnicas apresentadas no II Simpósio de Águas Minerais,
         realizado entre 28 e 30 de novembro, em Caxambu-MG, podem ser obtidos a partir do
         Site da ABES-MG (www.abes-mg.org.br).
         No mesmo endereço pode ser conhecida a Carta do IIº Simpósio, na qual são
         apresentadas as principais conclusões do evento.

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                                                     Terça-Feira, 03 de junho de 2003

                      JC e-mail 2274, de 09 de Maio de 2003.

Satélite vai buscar outras Terras em 2005

                     Projeto espacial europeu e brasileiro pode ser primeiro a detectar
                     planetas pequenos além do Sistema Solar

                     Salvador Nogueira escreve para a 'Folha de SP':

                     Pode até ser que 2010 seja mesmo 'o ano em que faremos contato',
                     como sugere o subtítulo do segundo filme baseado na saga de ficção
                     científica de Arthur Clarke. Mas, se depender de astrônomos
                     europeus e brasileiros, a localização das primeiras 'Terras' fora do
                     Sistema Solar começará a ser feita bem antes, em 2005.

                     Para isso, deve ir ao espaço o satélite Corot (abreviação inventada
                     em inglês para 'convecção, rotação e trânsitos planetários'). O
                     projeto é liderado pela França e conta com a participação de vários
                     países europeus. Fora da Europa, só o Brasil está no jogo -em
                     igualdade de condições.

                     'É a primeira vez que os cientistas brasileiros têm a chance de
                     participar do projeto de um satélite astronômico desde a sua
                     concepção', diz Eduardo Pacheco, do IAG (Instituto de Astronomia,
                     Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP.

                     'E, pela primeira vez na história da humanidade, teremos a chance de
                     descobrir planetas do tamanho da Terra.'

                     Mais de cem planetas extra-solares já foram detectados em torno de
                     outras estrelas. Observar diretamente a luz vinda desses corpos
                     distantes atualmente está fora de cogitação (seu brilho fraco é
                     ofuscado pela estrela), mas os cientistas desenvolveram estratégias
                     indiretas de detecção.

                     A mais popular delas, responsável por quase todas as detecções até
                     agora, é a que identifica os planetas observando o sutil bamboleio da
                     estrela.

                     Apesar de terem massa bem inferior à do astro central, planetas,
                     quando grandes o bastante, podem exercer força gravitacional
                     suficiente para que a estrela se desloque ligeiramente na direção
                     deles, conforme se arrastam por suas órbitas.

                     Observando o ritmo desse bamboleio estelar, os astrônomos
                     conseguem inferir a existência de planetas. Mas somente gigantes
                     gasosos como Júpiter ou Saturno podem ser detectados. Planetas
                     menores, como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte -os chamados
                     terrestres, ou telúricos, que têm superfície rochosa-, estavam fora
                     do alcance, ao menos até agora.

                     Trânsito planetário

                     Outro meio de encontrar planetas é pelo trânsito. Conforme o planeta
                     viaja em sua órbita, há um momento em que ele passa na frente da
                     estrela, fazendo com que seu brilho diminua um pouco. É como um
                     minieclipse.

                     Episódio similar, mas no Sistema Solar, aconteceu nesta quarta-feira,
                     quando Mercúrio passou na frente do Sol.

                     De novo, se um planeta é pequeno demais, a diferença de brilho da
                     estrela é bem sutil. Os telescópios em terra que procuram planetas
                     por trânsito não conseguem detectar os pequenos, mas o Corot será
                     capaz dessa façanha.

                     'Não só poderemos detectar planetas como a Terra, mas planetas
                     que estejam na zona de habitabilidade', explica Pacheco. No Sistema
                     Solar, a zona de habitabilidade corresponde, grosso modo, à faixa
                     entre as órbitas de Vênus e Marte. Tecnicamente, a zona de
                     habitabilidade compreende aquela em que um corpo é capaz de
                     manter água em estado líquido na superfície. Essas condições, dizem
                     os cientistas, são essenciais para a existência de vida.

                     O projeto envolve custo de US$ 40 milhões, mas o Brasil deve entrar
                     apenas com cerca de US$ 300 mil. O país participa de três maneiras.

                     Primeiro, fazendo a recepção de parte dos dados enviados pelo
                     satélite na estação do Inpe em Natal (antes o projeto só contava
                     com uma estação nas cercanias de Madri para receber todos os
                     resultados científicos).

                     Além disso, cientistas brasileiros criarão o programa de computador
                     responsável pelo tratamento dos dados. 'Cinco ou seis pesquisadores
                     vão passar dois anos na França para desenvolvê-lo', diz Pacheco.
                     Para isso ocorrer, falta só o CNPq conceder bolsas para os
                     participantes.

                     A terceira função seria propor programas científicos de observação.
                     O Brasil terá direito a executar cinco grandes programas, mesmo
                     número que os outros participantes. 'Estamos entrando em pé de
                     igualdade', diz Pacheco.

                     Serão observadas mais de 60 mil estrelas, e os cientistas esperam
                     encontrar pelo menos algumas dezenas de Terras. O satélite também
                     servirá para estudos astrofísicos, observando os chamados
                     'estelemotos' -equivalentes de terremotos na superfície das estrelas
                     que podem revelar dados valiosos sobre processos nas suas regiões
                     interiores.
                     (Folha de SP, 9/5)

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Ambiente Brasil
13/05/2003
AS GELEIRAS VIRARAM SERTÃO
                      Hoje, o sertão do Nordeste é marcado pelos mandacarus, pelas secas freqüentes e pelo calor intenso, mas nem sempre foi assim. Há cerca de 300 milhões de anos, quando América do Sul, África, sudoeste da Ásia, Austrália e Antártica formavam um único supercontinente situado próximo ao Pólo Sul, uma vasta porção do que hoje é o Nordeste brasileiro era coberta por geleiras, de cujas bordas se soltavam gigantescos blocos de gelo, icebergs que deslizavam como hoje se vê nos arredores da Antártica. Nas porções menos inóspitas desse terreno, onde não havia gelo, cresciam arbustos e árvores de pequeno  porte, parentes distantes dos pinheiros e das araucárias atuais, compondo uma paisagem semelhante à da atual Islândia, já bem perto do Pólo Norte.
 Uma equipe do IGc - Instituto de Geociências da USP - Universidade de São Paulo conseguiu reconstituir esse cenário e
 provar, pela primeira vez, que houve de fato uma glaciação no Nordeste - antes vista apenas como uma hipótese à espera
 de confirmação - com base na análise de rochas nas quais as geleiras deixaram cicatrizes ou estrias ao deslizar para o mar.
 Em busca de pistas do gelo antigo, num autêntico trabalho 'detetivesco' iniciado há 25 anos, os pesquisadores verificaram
que o próprio relevo guarda a lembrança daqueles tempos, o final da chamada Era Paleozóica, quando a maior parte dos
  continentes do atual Hemisfério Sul se uniam num imenso bloco, a Gondwana, e se encontravam cobertos pelo gelo. "Nessa
época, mais da metade do futuro território brasileiro estava sob o clima glacial", assegura o geólogo Antonio Carlos Rocha
 Campos, coordenador do grupo que examinou uma área de cerca de 10 mil quilômetros quadrados que compreende os
estados de Sergipe, Bahia e Alagoas.
Há tempos se conhecem os sinais de geleiras nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, especialmente em São Paulo e no
Paraná, mas no Nordeste havia apenas indícios desse período gelado. As marcas mais recentes e contundentes da glaciação
no território nordestino foram descobertas em outubro do ano passado: diversos sulcos e escavações rasas, de até 40
 centímetros de profundidade e 25 metros de comprimento por 3 metros de largura. Encontradas nas imediações de Santa
Brígida, a 412 quilômetros ao norte de Salvador, na Bahia, e próximas a Nova Canindé de São Francisco e Curituba, em
Sergipe, a 213 quilômetros a oeste da capital, Aracaju, as escavações apresentam as características típicas deixadas pelo
deslocamento de icebergs sobre o fundo de lagos ou mares rasos, de modo semelhante aos sulcos que hoje se vêem na
plataforma continental da região ártica da América do Norte.
Leia a matéria completa no site da Fapesp.

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Ambiente Brasil 13/05/2003
PESQUISADORES DA UNICAMP DELIMITAM AQÜÍFEROS NA REGIÃO DE CAMPOS/RJ

Pesquisadores da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas delimitaram e batizaram quatro grandes aqüíferos na
região do município de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. O trabalho, que demandou dois anos de pesquisa e
rendeu uma dissertação de mestrado, constitui importante ferramenta para a gestão das águas subterrâneas em uma
região onde o abastecimento da população tem se tornado cada vez mais crítico, sobretudo após a recente contaminação
por poluentes industriais do rio Paraíba do Sul, principal manancial da região.
Só para se ter uma idéia do potencial representado pelos aqüíferos estudados pelos cientistas da Universidade, basta saber
que a reserva total do mais promissor deles, batizado de Quaternário Deltaico, é de 11,7 bilhões de metros cúbicos. Em
apenas um poço, é possível captar uma média de 140 metros cúbicos por hora, volume suficiente para abastecer uma
cidade de 13,5 mil habitantes.

Embora a coordenadora da pesquisa, professora Sueli Yoshinaga Pereira, do Instituto de Geociências da Unicamp, afirme
que o trabalho não foi propriamente uma descoberta dos quatro aqüíferos, o tamanho, a importância e a viabilidade
econômica dos reservatórios eram até então desconhecidos.

De acordo com ela, já se sabia que a região de Campos dispõe de recursos hídricos subterrâneos significativos. Mas até
 então, explica, essas reservas não haviam sido delimitadas. "Como Campos é uma importante bacia petrolífera, nós
dispúnhamos de vários dados sobre a composição geológica, mas poucas informações a respeito da hidrogeologia,
principalmente em relação à parte continental, onde estão os aqüíferos. O que nós fizemos foi buscar mais detalhes a esse
respeito".

                      Leia a matéria completa no Jornal da Unicamp.

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                                                     Terça-Feira, 03 de junho de 2003
 

                     JC e-mail 2277, de 14 de Maio de 2003.

Novo planeta tem ano de 28 horas

                     Objeto localizado fora do Sistema Solar tem menor órbita já vista

                     Salvador Nogueira escreve para a 'Folha de SP';

                     Num mundo distante e estranho, um ano inteiro se resume a pouco
                     mais de 28 horas. Poderia esse até ser o início de um bizarro conto
                     de ficção científica, mas é o que um grupo de pesquisadores alemães
                     acaba de descobrir: um planeta localizado fora do Sistema Solar que
                     leva pouco mais de um dia terrestre para completar uma volta em
                     torno de seu sol.

                     Situado a 3,5 milhões de quilômetros da estrela, é o planeta com
                     período orbital mais curto já descoberto -e apenas o terceiro a ser
                     identificado pelo trânsito, de um total de 102 já descobertos.

                     Pelo método do trânsito, a presença do planeta é denunciada quando
                     ele passa à frente da estrela, diminuindo seu brilho.

                     O fato de estar tão próximo de sua estrela é inesperado; os
                     cientistas em geral calculam que planetas gigantes perdem boa parte
                    de seu invólucro gasoso conforme migram para mais perto da estrela
                     central.

                     'O sistema não é tão incomum, uma vez que muitos planetas gigantes
                     já foram encontrados em órbitas próximas em torno de suas estrelas,
                     mas este ainda é próximo e quente, o que é raro', diz Sonja Schuh,
                     da Universidade Tübingen, na Alemanha, uma das autoras do estudo.

                     'Em todo caso, o planeta obviamente ainda está lá, apesar dos fortes
                     efeitos de evaporação.'

                     O estudo é uma das muitas continuações de uma pesquisa realizada
                     no ano passado por um grupo de astrônomos poloneses que
                     encontrou cerca de 40 potenciais planetas girando em torno de
                     estrelas distantes.

                     'O trabalho daquele grupo que levantou os candidatos planetários é a
                     base da nossa pesquisa subsequente, assim como a de outros
                     grupos', revela Schuh. 'Estamos verificando quais deles realmente são
                     planetas, da lista total de candidatos.'

                     O artigo com os dados sobre o novo planeta, que tem cerca de
                     metade da massa de Júpiter, mas quase o mesmo diâmetro do maior
                     planeta do Sistema Solar (provavelmente com sua atmosfera
                     expandida em razão da alta proximidade com a estrela), foi publicado
                     na revista científica 'Astronomy & Astrophysics'.

                     Os astrônomos estimam que a temperatura da superfície, na face
                     voltada para a estrela, deva atingir os 2.000C. Agora, Schuh diz que
                     ela e seus colegas tentarão desvendar mais informações -o que não
                     será uma tarefa fácil.

                     'Nós, é claro, vamos nos esforçar para descobrir mais sobre o sistema
                     num futuro próximo, mas estudos da composição atmosférica em
                     particular não serão possíveis imediatamente em razão do pouco
                     brilho do objeto.'
                     (Folha de SP, 14/5)

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Terça-Feira, 03 de junho de 2003
 

                     JC e-mail 2284, de 23 de Maio de 2003.

Mercosul assina acordo para proteger aquífero

                     Para Bird, projeto é histórico

                     Léo Gerchmann escreve para a 'Folha de SP';

                     Os países integrantes do Mercosul começaram nesta quinta-feira a
                     tomar as primeiras medidas comuns para resolver um dos problemas
                     mais importantes no futuro da humanidade: o fornecimento de água
                     para consumo humano.

                     Representantes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram em
                     Montevidéu o Projeto Aquífero Guarani, avaliado em US$ 27,24
                     milhões.

                     O programa inclui convênios sobre medidas para controlar a extração
                     de água subterrânea, organizar um banco de dados comum e aplicar
                     mecanismos que previnam a contaminação, uma das principais
                     ameaças à utilização futura dos recursos hídricos.

                     O trabalho de preservação e gerenciamento do aquífero contará com
                     a colaboração do Bird (Banco Mundial), do Fundo Mundial para o Meio
                     Ambiente e da Organização dos Estados Americanos.

                     O aquífero é um manancial subterrâneo que atinge 1,2 milhão de
                     quilômetros quadrados e abrange os quatro países do Mercosul. Ele
                     pode abastecer uma população de 360 milhões de pessoas sem ser
                     afetado de maneira significativa.

                     Um aspecto importante para a prevenção de problemas futuros no
                     abastecimento de água é a dificuldade que um aquífero, por ser
                     subterrâneo, tem para se recuperar dos efeitos da poluição.

                     Segundo o Banco Mundial, é a primeira vez que a América Latina age
                     de forma preventiva para proteger lençóis hídricos que atingem mais
                     de um país.

                     'Que isso esteja sendo feito antes do advento de uma crise é
                     histórico', disse o diretor do banco para Argentina, Chile, Uruguai e
                     Paraguai, Axel van Trosenburg, que estava nesta quinta-feira em
                     Montevidéu para a assinatura do documento.
                     (Folha de SP, 23/5)

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